
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
O ex-presidente da Venezuela Nicolás Maduro está sendo processado em um tribunal dos Estados Unidos pelas famílias de cinco jovens venezuelanos, que acusam o ditador de ordenar execuções sumárias como parte de um padrão mais amplo de violência estatal.
A ação, que conta com 44 páginas, foi apresentada na terça-feira (30) e alega que Maduro ordenou que as Forças de Ação Especial da Polícia Nacional (Faes) executassem venezuelanos entre 2017 e 2020. O argumento central é de que os assassinatos dos cinco jovens seguiram um padrão conhecido de execuções sumárias sob o regime de Maduro.
De acordo com o documento protocolado em um tribunal do Brooklyn, as vítimas estão entre as milhares de pessoas mortas por unidades como as Faes — que acabaram dissolvidas em 2021 após uma série de denúncias de abusos, inclusive por parte da ONU. A peça jurídica descreve como os agentes chegavam aos bairros de madrugada, vestidos inteiramente de preto e com os rostos cobertos, para separar os homens de suas famílias antes de executá-los. Em seguida, as autoridades locais alegavam que as vítimas teriam "resistido à autoridade".
O texto também argumenta que o Judiciário venezuelano blindou o regime e impediu qualquer responsabilização interna pelos assassinatos.
Atualmente, Maduro está preso em uma penitenciária federal em Nova York aguardando julgamento por acusações de tráfico de drogas, após ter sido deposto pelas forças armadas dos EUA em uma operação na Venezuela em janeiro deste ano. A ex-primeira-dama Cília Flores também responde por crimes cometidos durante os anos de mandato do esposo.


