
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
O padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa, da Capela Santo Atanásio, em Ceilândia (DF) — membro da Fraternidade São Pio X, um grupo católico dissidente e ultraconservador sediado em Écône, na Suíça —, foi excomungado pela Arquidiocese de Brasília.
Na segunda-feira (13), a entidade divulgou uma nota confirmando a excomunhão do padre e da capela. Segundo o documento, assinado pelo arcebispo metropolitano de Brasília, cardeal Paulo Cezar Costa, a medida segue uma orientação do Vaticano de 2 de julho, quando a Santa Sé excomungou seis bispos suíços que fazem parte do grupo conservador.
Na ocasião, a nota explicativa do Dicastério para a Doutrina da Fé, a principal autoridade de supervisão doutrinária da Igreja, afirmava: "Os ministros sagrados pertencentes à Fraternidade Sacerdotal de São Pio X estão em cisma e, portanto, devem ser considerados cismáticos". Ainda citava: "Quanto aos fiéis leigos, aqueles que aderem formalmente à Fraternidade Sacerdotal de São Pio X [...] devem ser considerados cismáticos e excomungados."
Tendo isso em vista, a Arquidiocese de Brasília tomou a decisão: "A situação do Revdo. Padre Françoá Costa, que desde 5 de abril de 2025 considera-se aderente à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, é, a partir destes acontecimentos, de cisma e excomunhão, bem como a de todos os ministros sagrados da Fraternidade."
Além disso, a entidade de Brasília considerou as iniciativas de formação ou demais atos promovidos pela Capela Santo Atanásio como "irregulares por não se exercerem em comunhão com o Romano Pontífice e nem com o Arcebispo Metropolitano de Brasília".
O padre rejeito a excomunhão e afirmou que continuará celebrando missas e recebendo fiéis no local.
O que é a Fraternidade São Pio X?
A Fraternidade São Pio X é um grupo católico dissidente e tradicionalista sediado em Écône, na Suíça. Os membros também são conhecidos como lefebvrianos, nome que vem de seu fundador, o arcebispo francês Marcel Lefebvre. O termo refere-se aos seguidores do arcebispo, cujo movimento rejeita as reformas instauradas pelo Concílio Vaticano II, mantendo a celebração da missa em latim (rito tridentino) e de costas para os fiéis e opondo-se ao diálogo inter-religioso e ao ecumenismo. O próprio fundador foi excomungado pela Igreja Católica.

Recentemente, o Vaticano excomungou seis membros, reiterando que as consagrações de quatro bispos realizadas recentemente sem mandato pontifício constituem um ato de natureza cismática, além de declarar que o grupo celebra os sacramentos de forma ilícita. Segundo o decreto assinado pelo cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, os ministros do movimento encontram-se em situação de cisma, ou seja, em ruptura com a Igreja Católica.
O que é o cisma?
No Código de Direito Canônico atual, o cisma é classificado como um delito contra a religião e a unidade da Igreja. A lei eclesiástica o define formalmente como "a recusa da submissão ao Sumo Pontífice ou da comunhão com os membros da Igreja que lhe estão sujeitos".
No âmbito penal da Igreja, o crime de cisma resulta em excomunhão, o que significa que a punição é automática a partir do momento em que o ato de ruptura é formalizado e consumado pelo indivíduo.


