
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Os Estados Unidos convidaram representantes de mais de 60 países para uma reunião, na próxima semana, sobre uma iniciativa do governo de Donald Trump para criar uma aliança contra movimentos antifascistas e de esquerda que os americanos consideram "violentos". A análise da Casa Branca é de que há um “ressurgimento do terrorismo transnacional de extrema-esquerda”.
A informação foi divulgada pelo jornal The Washington Post. A ideia é criar um grupo de combate ao terrorismo e à violência política que funcione como uma coalizão internacional.
Não se descarta, também, a designação do movimento Antifa como uma organização terrorista estrangeira. Segundo o jornal americano, o czar antiterrorismo do governo, Sebastian Gorka, discutiu com colegas a possibilidade de usar rótulos de terrorismo estrangeiro para se referir à Antifa.
Ao TWP, o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, disse que o evento está sendo organizado porque o terrorismo de extrema-esquerda é “uma antiga ameaça que ressurge com fortes ligações transnacionais e novas convergências”. A iniciativa se caracteriza como uma reunião ministerial sobre o "ressurgimento do terrorismo político".
A lista de convidados inclui a maioria das nações europeias, grande parte dos países da América Latina e Estados asiáticos, como Índia, Indonésia e Singapura. A coluna procurou o Itamaraty para saber se o governo brasileiro foi convidado, mas até o momento desta publicação não obteve retorno.
O encontro gerou críticas entre autoridades políticas americanas, europeias e analistas, que não enxergam a ameaça nos mesmos termos de Washington. Fontes ouvidas pelo jornal afirmaram temer que a ação faça parte de um esforço do governo Trump para usar ferramentas antiterroristas poderosas para reprimir ativistas americanos considerados extremistas de esquerda.


