
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Os Estados Unidos vão retirar a Síria da lista de Estados patrocinadores do terrorismo. O anúncio oficial ocorreu nesta quinta-feira (9), quando o secretário de Estado, Marco Rubio, notificou o Congresso americano sobre a medida. O presidente Donald Trump também informou a decisão ao líder sírio, Ahmed al-Sharaa, durante um encontro reservado às margens da Cúpula da Otan.
A medida poderá entrar em vigor em 45 dias. Os congressistas americanos ainda podem tentar barrar a decisão, embora analistas considerem essa possibilidade remota.
A Síria integra a lista desde a sua criação, em 1979, sob o governo de Jimmy Carter. Na época, Washington passou a impor severas sanções econômicas a Damasco — então governada por Hafez al-Assad — em razão do apoio do regime a facções palestinas armadas e a grupos que operavam na Guerra Civil do Líbano.
Essa aproximação dos EUA com a Síria voltou a ocorrer ainda no ano passado, quando Trump assinou uma ordem executiva encerrando um programa paralelo de sanções americanas contra o país.
A decisão americana
A mudança de postura, de acordo com Rubio, reflete um novo momento geopolítico. O secretário de Estado afirmou que uma Síria "estável, unificada e em paz consigo mesma e com seus vizinhos beneficia não apenas a região, mas o mundo inteiro".
Rubio ressaltou ainda que o presidente sírio apresentou "garantias formais" por escrito de que o novo governo de Damasco não apoiará atos de terrorismo internacional no futuro.
O passado de Sharaa
Nesta quarta-feira, Trump voltou a elogiar Sharaa publicamente. Esta não é a primeira vez que o presidente americano demonstra simpatia pelo líder sírio. No ano passado, logo após a transição de poder em Damasco, Trump o classificou como "um rapaz jovem atraente, durão e com um passado sólido".
Apesar dos elogios de Washington, o passado de Ahmed al-Sharaa é alvo de intensos debates históricos. No passado recente, ele operava sob o codinome de Abu Mohammad al-Golani e liderava a organização Hay'at Tahrir al-Sham (HTS), grupo que teve origem na Al-Qaeda na Síria.
Sharaa assumiu o comando do país em dezembro de 2024, após uma ofensiva armada que depôs o ditador Bashar al-Assad, encerrando uma dinastia familiar de mais de 50 anos no poder. Sob o novo nome civil, ele assumiu o governo de transição prometendo reestruturar o Estado e organizar eleições presidenciais em um prazo de quatro a cinco anos.




