
Você deve ter visto — caso contrário, dê um Google e reveja a cena: Donald Trump e Gianni Infantino entregam a taça de campeã da Copa ao capitão da Espanha, Rodri.
O protocolo recomenda que os dois deixem o pódio. A festa deveria ser apenas da seleção. Mas Trump se recusa a deixar o palco, mesmo com Infantino o convidando a se retirar. Quer protagonismo, como sempre, como se tudo fosse sobre ele. Aliás, o presidente já tinha feito algo parecido na final da Copa do Mundo de Clubes da Fifa, entre Chelsea e Paris Saint-Germain, no ano passado, ali mesmo no MetLife Stadium.
Era o ato final, literalmente, de uma Copa marcada por atos políticos — como todas, aliás. Mas, nesta, até pela complexidade do cenário global nesta terceira década do século 21, provavelmente as interferências entre geopolítica e futebol foram mais intensas.
Questões de imigração, conflitos armados, interferências na disputa e até ambiente foram algumas das marcas da maior de todas as Copas do Mundo.
A coluna escolheu sete episódios que mostram como a geopolítica rivalizou com o que ocorria dentro de campo.
1 Guerra no Irã
Pela primeira vez, um país anfitrião de uma Copa, os EUA, estava em guerra com outra nação, o Irã. Por determinação das autoridades de imigração, a delegação iraniana não pôde pernoitar em território americano.
Como alternativa, a seleção concentrou-se no México (outro país sede), viajando de avião para os EUA apenas nos dias dos jogos e retornando imediatamente após o final das partidas.
2 Camisa censurada
A Fifa censurou o uniforme da seleção haitiana, na qual uma ilustração fazia referência à Batalha de Vertières (1803), marco da independência do país, contra as tropas de Napoleão Bonaparte. A entidade entendeu que havia referência política na mensagem, o que é proibido.
3 Árbitro deportado
O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, eleito o melhor do continente em 2025, teve seu visto de entrada negado e acabou deportado de volta a seu país. A alegação americana é de que ele seria suspeito de envolvimento com o terrorismo. O governo não apresentou provas públicas para embasar as acusações.
4 O caso Balogun
A amizade entre Trump e Infantino é antiga. Em 2025, o presidente da Fifa premiou o líder americano com a primeira edição do Prêmio de Paz. Durante a Copa, Trump interferiu diretamente para que a Fifa anulasse um cartão vermelho recebido pelo atacante dos EUA, Folarin Balogun, durante jogo contra Bósnia e Herzegovina. Ele elogiou publicamente a anulação do lance e admitiu ter conversado com Infantino, embora ambos tenham negado qualquer interferência direta no comitê de arbitragem.
5 Argentina e Malvinas
A soberania das Ilhas Malvinas (Falkland Islands, para os britânicos) era tema de fundo do jogo entre Argentina e Inglaterra. Mas, no final da partida da semifinal, houve um fato concreto: uma bandeira com a inscrição "As Malvinas são argentinas" foi exibida por alguns jogadores. O governo britânico solicitou oficialmente à Fifa que investigue a seleção argentina pela exibição da faixa.
6 Autonomias espanholas
No pódio, os jogadores espanhóis exibiram diferentes bandeiras regionais — e não apenas a da Espanha. Pedri e Yéremy Pino, por exemplo, estavam com a bandeira das Ilhas Canárias. Ferran Torres trazia o símbolo da Comunidade Valenciana; Borja Iglesias, da Galícia; Dani Olmo carregava o símbolo da cidade de Terrassa; Gavi com a bandeira de Andaluzia; e Álex Baena, o de Roquetas de Mar.
7 Ambiente
O calor extremo tornou obrigatórias as pausas para hidratação. Os incêndios florestais no Canadá levaram cinzas até New Jersey. Na sexta-feira (17), a dois dias da final, o MetLife estava envolto por uma névoa.




