
Em meio a alertas de tempestades e previsões de um El Niño vitaminado, Porto Alegre realiza, desta segunda-feira (20) até sexta-feira (24), a primeira edição da POA Climate Action Week (Semana de Ação Climática) 2026. Passados pouco mais de dois anos das enchentes históricas de 2024, a capital gaúcha recebe um evento global que conecta memória, reconstrução, justiça climática e cooperação internacional.
A proposta é construir uma agenda diversa e integrada, alinhada aos principais temas da COP30, realizada em Belém, em novembro do ano passado. A programação reúne debates, oficinas, ações comunitárias, eventos culturais, aulas abertas e iniciativas de inovação em diferentes pontos da cidade, como o Instituto Caldeira, a UFRGS, a Unisinos, a PUCRS e o Theatro São Pedro, entre outros.
Nesta mesma época, no ano passado, o Brasil vivia a expectativa da COP30. A emergência climática ocupava o centro do debate público, enquanto governos e setor produtivo buscavam apresentar projetos e iniciativas capazes de demonstrar compromisso com a sustentabilidade e alinhamento às discussões globais. Oito meses depois, porém, o que efetivamente permaneceu desse impulso? E por que se fala tão pouco da COP31, marcada para daqui a quatro meses, na Turquia?
A transição energética continua sendo um enorme desafio. O desmatamento, as emissões de gases de efeito estufa e os problemas de mobilidade seguem presentes. O Brasil, aliás, permanece na presidência da COP até a realização da próxima conferência. E, mais do que isso, o Rio Grande do Sul continua ocupando um lugar central nesse debate. O Estado tornou-se um laboratório vivo dos impactos das mudanças climáticas, fato que ajuda a explicar o interesse crescente da comunidade internacional. Não por acaso, na COP17 da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, que será realizada em agosto, em Ulan Bator, na Mongólia, o Rio Grande do Sul será apresentado como um dos estudos de caso.
O último fim de semana voltou a lembrar que a crise climática está longe de ser um tema do passado. Diversas cidades gaúchas enfrentaram eventos meteorológicos severos. Embora os volumes de chuva devam ficar abaixo das previsões iniciais, permanecem os riscos em diferentes municípios. E basta uma combinação de chuva intensa, ventos, estiagem ou ondas de calor para que o medo volte a fazer parte da rotina dos gaúchos. No campo e na cidade.
Ao integrar a rede internacional das Climate Action Weeks — iniciativa que articula territórios, cidades, governos, empresas, organizações da sociedade civil e instituições internacionais — Porto Alegre passa a fazer parte de um circuito que inclui cidades como Londres, Bangcoc, Sydney, Dublin e Baku. O objetivo é transformar a agenda climática em mobilização permanente e, principalmente, em políticas públicas e ações concretas.
A edição de Porto Alegre é organizada pela Pro Natura International, em parceria com a Themis, a Anistia Internacional, o Instituto Clima e Sociedade (iCS), a Coalizão pelo Clima do Rio Grande do Sul, o Ministério Público do Rio Grande do Sul e a Defensoria Pública.






