
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
A Inglaterra e a Argentina se enfrentam nesta quarta-feira (15) na última semifinal da Copa do Mundo de 2026. Entretanto, a rivalidade entre as duas nações vai muito além dos gramados e evoca tensões de um conflito armado ocorrido há mais de 40 anos.
Trata-se da Guerra das Malvinas, conhecida pelos britânicos como Falklands War. O episódio foi um conflito de curta duração, travado em 1982, no qual a Argentina e o Reino Unido disputaram a soberania sobre arquipélago localizado no Atlântico Sul.
Como foi a disputa
As ilhas eram administradas pelo Reino Unido desde 1833, mas a Argentina sempre reivindicou a soberania sobre o território, alegando proximidade geográfica e herança da colonização espanhola.
Em 1982, o vizinho sul-americano era governado por uma junta militar liderada pelo general Leopoldo Galtieri, em meio ao período mais severo de sua ditadura. Mesmo com o país enfrentando uma grave crise econômica, inflação recorde e protestos sociais contra os abusos de direitos humanos, o regime decidiu enviar tropas ao arquipélago. A junta militar viu na invasão uma oportunidade de apelo nacionalista para unificar a população e desviar a atenção pública dos problemas internos.
No dia 2 de abril daquele ano, soldados argentinos desembarcaram na capital do arquipélago, Port Stanley — rebatizada pelos hermanos como Puerto Argentino —, rendendo a pequena guarnição de fuzileiros navais britânicos sem causar mortes, em uma tentativa de evitar uma reação armada imediata de Londres.
Entretanto, o plano não saiu como o esperado.
O Reino Unido tinha à frente do governo a primeira-ministra Margaret Thatcher, que mobilizou uma poderosa força-tarefa militar para retomar o território. A superioridade tecnológica, a inteligência de combate e o treinamento das tropas britânicas rapidamente superaram as forças armadas argentinas, formadas em grande parte por jovens recrutas conscritos que sofriam com a falta de suprimentos e de agasalhos adequados para o frio extremo.
No dia 14 de junho de 1982, o comando argentino nas ilhas assinou a rendição.
Atualmente, o arquipélago continua sob administração britânica, com o status de Território Ultramarino. No entanto, o tema ainda gera fricção diplomática e ressentimentos.
O conflito durou de 2 de abril a 14 de junho de 1982.
Um dos marcos do conflito foi o afundamento do navio General Belgrano, joia da marinha argentina. O ditador Leopoldo Galtieri renunciou quatro dias depois do final da guerra. Os argentinos perderam 649 militares em combate. Os britânicos sofreram 255 baixas militares (além de três civis).



