
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Um levantamento inédito mostra que a maioria das 53 cidades brasileiras que participam de uma iniciativa internacional de combate ao calor extremo enxerga o fenômeno como um risco crítico para a população e para os sistemas urbanos. Entre elas, seis ficam no Rio Grande do Sul: Porto Alegre, Gravataí, Cruzeiro do Sul, Arroio do Meio, São Lourenço do Sul e Balneário Pinhal.
Os dados são da iniciativa Beat the Heat (chamada em português de "Mutirão Contra o Calor Extremo"), que faz parte da Agenda de Ação Climática Global e foi lançada em uma parceria entre a presidência da COP30 e a ONU, líder da Coalizão pelo Resfriamento. Atualmente, o projeto reúne mais de 250 cidades no mundo.
De acordo com a coordenação da COP30, o calor extremo não se resume a "um dia muito quente". Ele ocorre quando, por dois ou mais dias seguidos, o calor acumulado durante o período diurno não é dissipado à noite.
A pesquisa aponta que, nessas 53 cidades no Brasil, 93% dos entrevistados classificam o calor extremo como relevante e 68% o colocam entre os três maiores desafios locais. Porém, esse reconhecimento ainda não se traduz em capacidade de resposta, já que a maioria das cidades está em fases iniciais de planejamento.
O levantamento, que cobre municípios de todos os portes e regiões do país, também indica um cenário de vulnerabilidade: 66% das cidades brasileiras ainda não iniciaram ou estão apenas começando seus planos de ação, e 75% não utilizam dados de forma estruturada para tomar decisões.
Confira como as cidades gaúchas estão lidando com o calor extremo
Das seis cidades, Porto Alegre, Gravataí, Cruzeiro do Sul e Arroio do Meio elencam o calor extremo como prioridade máxima na pauta ambiental. São Lourenço e Balneário Pinhal colocam como prioridades, embora fora das três principais pautas da gestão.
Todas as cidades implementam medidas de infraestrutura verde para diminuir o calor, como árvores, parques, corredores verdes, zonas úmidas, corpos d'água entre outras soluções baseadas na natureza.
Veja abaixo o detalhamento de cada cidade:
Porto Alegre
A Capital elenca o calor extremo como um dos principais riscos climáticos. Diferentemente de outras cidades gaúchas, Porto Alegre conta com um Plano de Ação Contra o Calor já desenvolvido, cujas diretrizes foram integradas aos planos locais de clima, energia, transporte, resiliência e ao próprio Plano Diretor.
Segundo a prefeitura, os dados meteorológicos e de temperatura são ativamente utilizados para o planejamento urbano e a gestão de risco.
Ações implementadas:
- infraestruturas verdes e azuis
- medidas de resfriamento passivo em edificações (telhados frios, sombreamento, ventilação natural — em edifícios novos ou existentes)
- políticas e códigos que promovem o design resiliente ao calor (normas de planejamento, diretrizes de construção, padrões de projeto)
Gravataí
Na Região Metropolitana, a cidade coloca o calor extremo como prioridade máxima. O município afirma que o seu Plano de Ação Contra o Calor está em fase de planejamento, iniciando o mapeamento das ilhas de calor urbano.
Ações implementadas:
- infraestruturas verdes e azuis
- desenho urbano responsivo ao calor (redesenho das ruas, passarelas sombreadas, calçadas frescas, praças redesenhadas)
- programas de modernização (retrofit) de prédios públicos e diretrizes para design resiliente
Cruzeiro do Sul
No Vale do Taquari, o município também coloca o calor extremo entre as três principais prioridades ambientais. A cidade ainda não conta com um plano de ação estruturado e informou que os dados básicos de temperatura estão disponíveis, mas ainda não estão prontos para subsidiar a tomada de decisões.
Ações implementadas:
- infraestrutura verde e azul
- desenho urbano responsivo ao calor
- intervenções em espaços públicos
Arroio do Meio
Assim como Cruzeiro do Sul, o município do Vale do Taquari coloca o calor extremo como prioridade máxima, mas ainda não possui um Plano de Ação Contra o Calor formatado. Entretanto, segundo a prefeitura, estão buscando recursos para colocar em prática ações no setor.
Ações implementadas:
- infraestrutura verde e azul
- desenho urbano responsivo ao calor
- intervenções em espaços públicos (como arborização e parques verdes)
São Lourenço do Sul
Para a cidade da região Sul, o calor extremo é considerado um risco importante, mas não está no "top 3" das prioridades locais. O município não conta, atualmente, com trabalho formal de mapeamento ou planejamento relacionado ao calor urbano, e a prefeitura não dispõe de dados térmicos específicos. A prefeitura lembrou, à coluna, que a cidade não enfrenta, de forma recorrente, situações caracterizadas como calor extremo que demandem políticas públicas específicas para esse fenômeno.
Ações implementadas:
- uso de infraestrutura verde e azul para a mitigação do calor
Balneário Pinhal
No Litoral Norte, o município também elenca o calor extremo como uma de suas prioridades, embora fora das três principais. Assim como São Lourenço do Sul, a cidade não realiza mapeamento formal ou planejamento voltado ao calor urbano e carece de dados específicos.
Ações implementadas:
- foco em soluções baseadas em infraestrutura verde e azul — de acordo com a prefeitura, também está em andamento um projeto de arborização da cidade, com o plantio de espécies em diferentes pontos do município




