
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Pouco antes de anunciar a proposta dos EUA de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, após investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), o presidente americano, Donald Trump, indicou o deputado estadual da Flórida Daniel Perez para assumir a embaixada no Brasil.
Para assumir oficialmente, o nome de Perez precisa ser aprovado pelo Senado americano. O cargo estava vago desde o fim da gestão de Joe Biden, em janeiro de 2025.
Perez tem 38 anos e preside, desde 2024, a Câmara dos Representantes da Flórida pelo Partido Republicano. No ano passado, ele chegou a ser citado como possível candidato ao cargo de procurador-geral do estado.
As raízes de Perez chamam a atenção: ele é filho de imigrantes cubanos, mas nasceu em Nova York, mudando-se para a Flórida ainda criança. É formado em Direito pela Loyola University New Orleans, casado e pai de três filhos.
Na vida política, Perez foi eleito deputado estadual pela primeira vez em 2017. Entre as pautas que já trabalhou no Legislativo da Flórida, estão temas ligados ao bem-estar infantil, saúde, fortalecimento das famílias, educação e integridade eleitoral. Sua atuação é marcada por posições conservadoras, alinhadas à redução de impostos, fortalecimento do comércio local, reformas no sistema de justiça criminal, além de um posicionamento firmemente anticomunista.
No aspecto político, ele já defendeu a ação americana na Venezuela que resultou na captura de Nicolás Maduro, apoiou o posicionamento do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio (que também é cubano), de que o governo americano poderia ajudar Cuba a mudar o regime local, e se manifestou contra a eleição do democrata Zohran Mamdani para o cargo de prefeito de Nova York no último ano.
O republicano frequentemente entra em conflito público com o governador da Flória, Ron DeSantis. Em abril, Perez vetou duas prioridades do governador, incluindo uma medida que eliminaria a obrigatoriedade da vacinação e uma proposta que entrou em conflito com a Casa Branca sobre a regulamentação da inteligência artificial.
O posto de embaixador americano no Brasil estava vago desde janeiro de 2025, sendo ocupado, até então, pelo encarregado de negócios Gabriel Escobar.




