
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
A publicação deste domingo (21) do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando que o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, deixará o governo aumentou ainda mais as expectativas em torno da possibilidade — já ventilada nos bastidores — de que o premiê anuncie sua renúncia nesta segunda-feira (22).
Apesar de a informação não ter sido confirmada pelo governo britânico, Starmer vem sofrendo há meses pressão interna do Partido Trabalhista para deixar 10 Downing Street, a residência oficial.
O premiê enfrenta desgaste desde que chegou ao poder, principalmente por dificuldades econômicas, estagnação do crescimento e aumento do custo de vida.
Apesar da ampla vitória do Partido Trabalhista em 2024, Starmer rapidamente perdeu apoio popular. Pesquisas mostraram índices de aprovação muito negativos, em parte porque muitos eleitores acreditam que o governo não conseguiu melhorar o custo de vida nem os serviços públicos. Além disso, o país ainda enfrenta inflação persistente e crescimento econômico fraco.
Outro fator que agravou a crise foi a saída de quatro secretários de Estado. Ainda em maio, o secretário de Saúde do Reino Unido, Wes Streeting, renunciou ao cargo. Na ocasião, Streeting publicou uma carta na rede social X afirmando que havia perdido a confiança na condução do governo de Starmer.
Há ainda outro elemento importante: a ascensão de Andy Burnham, um dos principais nomes do trabalhismo britânico e atual prefeito de Manchester, que venceu uma disputa por uma cadeira no Parlamento. Uma possível candidatura de Burnham à liderança do partido já conta com o apoio de aproximadamente 200 integrantes da legenda. Ele se tornaria o principal rival de Starmer.
Apesar disso, durante a última semana, Starmer voltou a afirmar que permaneceria no cargo e que pretende “continuar governando”, conduzindo Downing Street até as eleições gerais previstas para 2029.
Segundo o jornal britânico The Guardian, assessores do governo continuavam insistindo que Starmer mantinha a promessa feita na sexta-feira de enfrentar um esperado desafio à liderança por parte de Burnham. Ainda de acordo com o jornal, Starmer e seu círculo mais próximo começaram a trabalhar em rascunhos de um discurso de renúncia no sábado (20).


