
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
A Copa do Mundo começou na última quinta-feira (11) e os torcedores que acompanham o calendário oficial e os chaveamentos podem se surpreender com a grafia de alguns países. Isso ocorre porque várias nações mudaram, recentemente, a forma como se apresentam ao mundo.
O primeiro caso é o da República Tcheca (que compunha, até 1992, junto com a Eslováquia, a antiga Tchecoslováquia). Nesta Copa, ela passou a adotar oficialmente a abreviação Tchéquia. Desde 2016, o governo do país aprovou o nome curto (Czechia, em inglês) para uso internacional, uma forma mais prática para passaportes, comércio e, claro, para o esporte.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores tcheco, República Tcheca continua sendo o nome formal e político, enquanto Tchéquia é a denominação abreviada. Sendo assim, não se tratou de uma mudança de nome propriamente dita, e ambas as formas continuam válidas. A seleção está no Grupo A, ao lado de México, Coreia do Sul e África do Sul.
No Grupo F, ao lado de Suécia, Japão e Tunísia, estão os Países Baixos, historicamente chamados no Brasil de Holanda. A designação oficial (Netherlands) já é o padrão adotado pela Fifa. Na língua local, Nederland significa literalmente "terras baixas", uma referência direta à geografia do país, já que cerca de 26% do seu território está abaixo do nível do mar.
Por muito tempo, o termo "Holanda" prevaleceu porque a região economicamente mais forte, que integrava o Sacro Império Romano-Germânico, era o antigo Condado da Holanda. Na realidade, o nome refere-se a apenas duas das 12 províncias atuais do país — a Holanda do Norte e a Holanda do Sul.
A Turquia também alterou sua identidade no chaveamento internacional para Türkiye. A mudança faz pouco sentido em português, mas tem forte impacto em inglês. Na língua anglo-saxônica, a palavra Turkey nomeia o animal "peru" e também é uma gíria consolidada para "fracasso" ou "fiasco".
No final de 2021, o governo local determinou que o país passaria a ser chamado de Türkiye internacionalmente — exatamente como é pronunciado no idioma turco. Em 2022, a ONU e a Fifa oficializaram a transição, que visa reforçar a identidade nacional e desassociar o país de conotações pejorativas. A seleção está no Grupo D, com Estados Unidos, Austrália e Paraguai.
No continente africano, a República Democrática do Congo disputa o torneio pela primeira vez com este nome. Em sua única participação anterior, no Mundial de 1974, a seleção competiu sob a antiga denominação de Zaire — nome adotado entre 1971 e 1997 durante a ditadura de Mobutu Sese Seko. Com a queda do regime, o país retomou o nome atual. Vale lembrar que a República Democrática do Congo (RDC) não deve ser confundida com a vizinha República do Congo (que não se classificou). A RDC está no Grupo K, ao lado de Colômbia, Portugal e Uzbequistão.
Por fim, a Costa do Marfim também padronizou sua diplomacia esportiva. O país exige que organismos internacionais utilizem exclusivamente o seu nome em francês, Côte d'Ivoire, inclusive em sorteios e transmissões oficiais, proibindo traduções literais. A equipe marfinense está no Grupo E, completado por Alemanha, Equador e Curaçao.





