
Há muitas incógnitas no memorando de entendimento assinado entre Estados Unidos e Irã, que promete um cessar-fogo no Oriente Médio. Mas um ponto é bastante concreto e importante: o compromisso do governo americano em liberar os ativos iranianos congelados em razão das sanções.
Mas o que é isso? E por que é importante?
Eu te explico:
Pense nos ativos iranianos retidos no Exterior como se fossem contas bancárias, investimentos ou receitas de vendas de produtos que pertencem ao Irã, mas estão bloqueados em outros países. Por exemplo: o Irã vende petróleo para outra nação. O comprador deposita o dinheiro em um banco local. Devido às sanções internacionais, o Irã não consegue transferir ou usar livremente esse dinheiro. O valor fica "preso" naquele país ou banco.
Isso ocorre porque vários países adotaram sanções contra o Irã devido à ambição de seu programa nuclear - que boa parte do Ocidente considera perigoso em razão de um suposto desejo iraniano de ter uma bomba atômica. O país dos aiatolás nega esse interesse e diz que seria um programa apenas com o intuito de produzir energia. Mas esse é outro debate.
Voltando ao tema: as sanções dificultam transferências internacionais, uso do sistema financeiro global (o mesmo ocorre com a Rússia em razão da guerra com a Ucrânia), acesso a reservas em dólar e recebimento de pagamentos por petróleo e gás.
Embora as estimativas variem, autoridades iranianas afirmam que o valor total "retido" ultrapassa US$ 100 bilhões (R$ 513 bi). O objetivo do governo iraniano é destravar ao menos parte desse valor, cerca de US$ 24 bi (R$ 123 bi), o que já seria muito útil para a reconstrução do país atingido pelas bombas americanas e israelenses.
Alguns desses ativos estão bloqueados desde os primeiros anos da Revolução Islâmica, de 1979, mas muito também foi retido depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, se retirou, em 2018, do acordo costurado por Barack Obama com os aiatolás.
A China, compradora do petróleo iraniano há anos, é o país que mais detém ativos, entre US$ 20 bi (R$ 102 bi) e US% 50 bi (R$ 256 bi). Iraque, Coreia do Sul, Índia e Catar também dispõem desses ativos.



