
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, está descobrindo que afinidade ideológica têm limite. Afinal, haja paciência com Donald Trump.
O mais recente round das trocas de farpas públicas entre os dois ocorreu no contexto do encontro do G7, na França. A um canal italiano, La7, o americano disse que Meloni teria implorado para tirar uma foto com ele.
— Ela queria muito uma foto comigo. Eu não teria tirado, mas fiquei com pena dela — disse.
Meloni respondeu em suas redes sociais, por meio de um vídeo:
— As declarações de Donald Trump são completamente inventadas. Estou francamente surpresa. Não sei por que o presidente dos Estados Unidos se comporta dessa maneira com seus aliados: além disso, não é a primeira vez.
Os bate-bocas frequentes chamam atenção porque os dois eram frequentemente apresentados como aliados naturais: conservadores, críticos da imigração irregular e próximos em várias pautas culturais. Meloni foi a única única líder europeia a comparecer a sua posse, em 2025.
Mas ela se deu conta de algo que outros líderes já perceberam: Trump valoriza alianças apenas enquanto elas servem aos interesses. Quando os objetivos divergem, a afinidade ideológica passa para segundo plano. A proximidade política não lhe garantiu tratamento diferenciado.
O principal ponto de ruptura foi a guerra no Irã. Trump pressionou europeus a apoiarem a campanha militar. Meloni se recusou a colocar a Itália diretamente no conflito e, como a Espanha, evitou autorizar plenamente o uso de infraestrutura militar italiana em apoio à operação.
Trump chegou a declarar que estava "chocado" com a postura da italiana e afirmou que ela queria que os EUA "fizessem o trabalho por ela".
Para Meloni, apoiar a guerra significaria assumir riscos políticos internos enormes e contrariar uma parcela relevante da opinião pública domésticas.
Mas as rusgas são mais antigas. Quando Trump criticou o papa Leão XIV, chamando-o de fraco em temas como segurança e imigração, Meloni foi pressionada internamente a reagir. Como chefe de governo do país que abriga o Vaticano, ela classificou os ataques ao Pontífice como "inaceitáveis".
Foi a primeira vez que ela criticou Trump publicamente de forma tão direta.
O americano passou a atacar aliados europeus de forma mais ampla, especialmente em temas ligados à Otan e tarifas. Na reação desta sexta-feira (19), ela deixa, nas entrelinhas, claro que Trump prefere apoiar adversários do Ocidente, como Vladimir Putin, da Rússia (e a ameaça à Ucrânia é vista como ameaça à própria Europa), do que históricos aliados.


