
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Mesmo sem citar nominalmente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o presidente Lula mandou um recado ao americano durante seu discurso na Cúpula de Líderes do Mercosul, nesta terça-feira (30), em Assunção, no Paraguai.
Além de defender o Pix, citado por Washington como um dos motivos para aplicar uma taxação de 25% sobre produtos nacionais, Lula sugeriu que o modelo de pagamentos seja compartilhado entre os integrantes do bloco. Por fim, o brasileiro defendeu a soberania dos país sul-americanos.
— Ninguém é dono do mundo. E ninguém é dono da América do Sul. Nenhum país do Mercosul ganhará mais liberdade de ação por meio de alinhamentos automáticos ou escolhas excludentes. Nossa força estará na capacidade de dialogar com todos, sem deixar de lado nossos interesses — afirmou Lula.
A fala ocorre em meio a graves tensões comerciais entre Brasília e Washington. Nesta quarta-feira (1º), começam as articulações oficiais do governo brasileiro para tentar reverter as novas sanções que os EUA ameaçam impor. A Casa Branca usa como justificativa a alegação de que o Pix gera uma concorrência comercial desleal contra empresas americanas.
— Experiências nacionais bem-sucedidas devem ser compartilhadas entre os países do bloco. O Pix, sistema brasileiro público e gratuito de pagamentos, é referência internacional de inclusão financeira e eficiência digital. Sua arquitetura pode servir de base para uma infraestrutura de pagamentos que beneficiará todos os cidadãos do Mercosul — disse no Mercosul.
Até esta quarta-feira (30), o Brasil deve enviar seus comentários por escrito sobre as medidas propostas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Na próxima segunda-feira (6), o órgão realizará uma audiência pública para debater o tema. O desfecho ocorre no dia 15, prazo legal para a definição e a eventual aplicação das retaliações contra o país.
Combate ao crime
Lula também defendeu as ações que o Brasil tem colocado em prática para frear o avanço da criminalidade transnacional. Recentemente, o governo dos EUA classificou as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.
— No Brasil, priorizamos o fortalecimento da inteligência e da cooperação internacional para asfixiar os escalões mais altos das redes criminosas e combater o tráfico de drogas e de armas. Criamos o Centro de Cooperação Policial Internacional em Manaus, com a presença de policiais de todos os países amazônicos. Em parceria com a Interpol, estamos implementando uma nova iniciativa para o enfrentamento do crime organizado na América do Sul, cuja sede será o Escritório Regional da Interpol, em Buenos Aires — concluiu o presidente.


