
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
O Peru, marcado por décadas de instabilidade política, vai às urnas neste domingo (7) para escolher o seu nono presidente em menos de 10 anos. A direitista Keiko Fujimori e o esquerdista Roberto Sánchez Palomino se enfrentam no segundo turno para decidir quem governará o país até 2031.
Keiko Fujimori
Embora tenha terminado o primeiro turno na liderança, a filha do ex-presidente Alberto Fujimori não entra no segundo turno com vantagem garantida, segundo analistas. Esta é a quarta tentativa de Keiko de chegar ao poder — ela foi derrotada nos pleitos de 2011, 2016 e 2021.
Ao mesmo tempo em que herda o voto fiel da direita tradicional do país, ela carrega uma alta rejeição de eleitores de esquerda e de setores contrários aos anos autoritários do chamado "fujimorato".
Alberto Fujimori, figura central de episódios controversos na história peruana, faleceu em 2024. Ele havia sido condenado por violações de direitos humanos, incluindo a esterilização forçada de mulheres indígenas.

Na vida pública, Keiko foi a congressista mais votada do Peru em 2006 e fundou o Fuerza Popular, partido de direita que se consolidou como uma das maiores forças no Parlamento. Na campanha de 2026, ela tem focado em um discurso baseado em três pilares: mão dura contra o crime, estabilidade institucional e defesa do modelo econômico liberal, além de pregar uma maior aproximação diplomática com os Estados Unidos.
Roberto Sánchez Palomino
Líder de esquerda, deputado e presidente do partido Juntos pelo Peru, Sánchez se coloca como o herdeiro político do ex-presidente Pedro Castillo, de quem foi aliado de primeira hora.
Durante o mandato de Castillo — que também acabou destituído —, Sánchez atuou como Ministro do Comércio Exterior e Turismo. Ele se destacou como o único ministro a permanecer no cargo durante quase toda a turbulenta gestão do ex-mandatário.

Sánchez se apresenta como a voz do "movimento popular" e do "Peru profundo", em oposição às elites de Lima. Durante a campanha, adotou o uso de um chapéu de aba larga — presente que recebeu de Castillo na prisão — como símbolo de conexão com a base eleitoral do ex-presidente. Uma de suas principais bandeiras econômicas é a criação de mecanismos para formalizar o enorme mercado de trabalho informal do país.
Histórico de presidentes
O vencedor do pleito será o nono chefe do Executivo a assumir o país em menos de uma década. O último presidente a completar integralmente o mandato de cinco anos foi Ollanta Humala, em 2016. Desde então, o Palácio de Governo de Lima vive uma constante dança das cadeiras:
- Pedro Pablo Kuczynski (PPK) [2016–2018]: Eleito nas urnas, renunciou para evitar um processo de impeachment iminente após escândalos de compra de votos.
- Martín Vizcarra [2018–2020]: Assumiu como vice de PPK, mas acabou destituído pelo Congresso sob acusações de corrupção.
- Manuel Merino [2020]: Então presidente do Congresso, assumiu o poder e renunciou após apenas cinco dias, pressionado por protestos populares massivos que deixaram mortos.
- Francisco Sagasti [2020–2021]: Escolhido pelo Parlamento para chefiar um governo de transição. Foi um dos únicos a concluir o período previsto, entregando o cargo ao sucessor eleito.
- Pedro Castillo [2021–2022]: Venceu as eleições, mas foi destituído e preso após tentar dar um autogolpe de Estado e dissolver o Congresso.
- Dina Boluarte [2022–2025]: Vice de Castillo, assumiu após a prisão do titular. Com forte rejeição popular (chegando a apenas 2% de aprovação), foi destituída pelo Congresso devido a crises de segurança e escândalos pessoais.
- José Jerí [2025–2026]: Assumiu de forma interina como chefe do Legislativo. Quatro meses depois, foi censurado e destituído pelo próprio Parlamento após o envolvimento em reuniões secretas não declaradas com um empresário.
- José María Balcázar [2026–atual]: Atual presidente interino do país. Assumiu o comando do Executivo após a queda de Jerí e chefia o governo de transição até a posse do presidente eleito.






