
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Ao menos três entidades nacionais do setor empresarial se pronunciaram sobre a proposta dos EUA de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). As medidas devem entrar em vigor a partir de 12 de julho.
De acordo com a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), caso confirmadas as investigações do USTR, as medidas aumentarão custos, reduzirão a competitividade e criarão obstáculos ao comércio e aos investimentos bilaterais. A entidade defende uma solução negociada, de forma a evitar um tratamento tarifário mais oneroso para as exportações brasileiras no mercado americano em relação a seus concorrentes.
“O relatório não é final e reforça que ainda há tempo para evitar a adoção de novas tarifas. O setor empresarial espera que os dois governos intensifiquem seus esforços nas próximas semanas e alcancem uma solução que enderece as questões em discussão, preservando as condições necessárias para a evolução do comércio e dos investimentos nos dois países”, afirmou Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, em nota.
A entidade também lembra que, nos próximos dias, deve sair outro relatório de outra investigação conduzida pelos EUA, relacionada a importações de produtos elaborados com trabalho forçado, que poderá resultar em tarifas adicionais para cerca de 60 países, incluindo o Brasil.
Em nota, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que reúne 52 unidades representativas no Estado de SP, afirmou que acompanha com profunda preocupação o relatório do USTR e que a proposta contém um forte impacto negativo para as relações comerciais bilaterais e na competitividade do Brasil.
“A diplomacia empresarial cumpriu um papel relevante na negociação das exclusões de uma lista de produtos até aqui. Neste momento, no entanto, é fundamental uma atuação rápida e firme do governo brasileiro para evitar a confirmação de prejuízos graves às exportações do país antes da decisão final, esperada para julho”, destacou Paulo Skaf, presidente da Fiesp, na nota.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também se posicionou, afirmando que acompanha com preocupação a situação e reforça a importância do diálogo e da cooperação entre os dois países para a busca de soluções equilibradas. "A instituição avalia que medidas tarifárias dessa natureza não contribuem para o fortalecimento da relação econômica bilateral e podem provocar impactos negativos em cadeias produtivas", diz a nota.
“A relação econômica entre Brasil e Estados Unidos é estratégica, sólida e construída ao longo de décadas. A eventual adoção de tarifas adicionais vai prejudicar a indústria brasileira e o mercado norte-americano. O momento exige diálogo e análise técnica. De nossa parte, estamos prontos para contribuir com as negociações", disse o presidente da CNI, Ricardo Alban.




