
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou, na quarta-feira (3), uma resolução que busca limitar os poderes do presidente Donald Trump na condução de novas ações militares e encerrar a guerra dos americanos contra o Irã. O texto ainda precisa ser votado pelo Senado e não depende de sanção presidencial.
Mas o que busca essa medida?
Na prática, a intenção dos congressistas favoráveis à medida é impedir que Trump volte a atacar o Irã sem autorização dos parlamentares — ou seja, garantir que as ações da Casa Branca passem pelo aval do Congresso antes de serem efetivadas.
Esta foi a quarta tentativa da Câmara de limitar os poderes de guerra do presidente. No mês passado, uma medida similar foi aprovada no Senado, com o objetivo de obrigar Trump a encerrar operações militares no Oriente Médio; entretanto, o texto não foi submetido a uma votação final e ficou parado no Congresso.
A votação desta quarta-feira foi apertada: 215 a 208. Quatro republicanos se juntaram aos democratas e votaram a favor da medida, o que irritou Trump, que declarou que os congressistas "deveriam ter vergonha" (leia mais abaixo).
A resolução agora segue para o Senado, onde deve enfrentar resistência, já que a Casa tem maioria republicana. Para que o texto passe, será necessário que parte da bancada do partido de Trump vote com a oposição democrata. No entanto, de acordo com apuração da CNN Internacional, 50 dos 100 senadores parecem apoiar a proposta. Caso ela seja aprovada, a expectativa é de que Trump recorra à Justiça para tentar derrubá-la.
Para analistas, o movimento reflete a preocupação de democratas — e até de alguns republicanos — com o avanço da guerra no Irã, que já passa de três meses sem perspectivas de um acordo de paz.
A resolução sobre poderes de guerra não travaria o conflito de imediato, mas representaria um forte gesto simbólico contra uma nova escalada. Caso o mecanismo seja validado, Trump seria obrigado a retirar as tropas do Irã ou a obter a aprovação formal do Congresso para manter as operações.
Medida irritou Trump
A votação deixou o presidente americano irritado. Ele usou as redes sociais para atacar os parlamentares, incluindo os correligionários republicanos que ajudaram o Partido Democrata na aprovação da medida.
Em post na rede Truth Social, na manhã desta quinta-feira (4), Trump classificou a votação como "sem sentido":
"Ontem, em uma votação sem sentido, a Câmara votou, com quatro republicanos incompetentes e todos os democratas, para limitar meus poderes de guerra, bem no meio das minhas negociações finais para encerrar a guerra com a República Islâmica do Irã. Quem faria uma coisa tão antipatriótica? Eles sabem em que pé estão as negociações. Os democratas são movidos pela Síndrome de Transtorno Obsessivo por Trump. Eles preferem que nosso país fracasse a me dar mais uma vitória, entre muitas. Os quatro republicanos, essa é outra história completamente diferente – eles são exibicionistas! Deveriam ter vergonha de si mesmos", escreveu.
A Casa Branca, que já sinalizou considerar a medida inconstitucional, poderá tentar ignorar a resolução caso ela seja definitivamente aprovada.





