
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
O domingo (7) amanheceu com tensão no Leste Asiático após movimentações marítimas de Taipé e Pequim. Isso porque a Guarda Costeira de Taiwan anunciou o envio de navios-patrulha para monitorar embarcações chinesas que participam de uma operação conduzida pela China para fiscalização em águas a leste da ilha.
A mobilização ocorreu após Pequim realizar o que classificou como uma “operação de aplicação da lei” em áreas marítimas próximas a Taiwan. A iniciativa foi anunciada pela imprensa chinesa um dia depois de Japão e Filipinas confirmarem o início de negociações para delimitar suas fronteiras marítimas no Oceano Pacífico.
De acordo com a agência estatal Xinhua, o Ministério dos Transportes da China coordenou, no sábado, uma “operação especial de fiscalização do tráfego marítimo”, executada por forças marítimas das províncias de Fujian e Guangdong. O governo chinês não informou a duração da operação nem se ela continua em andamento.
Diante da ação, Taiwan deslocou embarcações para monitorar a investida de Pequim. Segundo as autoridades taiwanesas, a operação chinesa viola o direito internacional e representa mais um episódio de tensão na região.
Em comunicado, a Guarda Costeira taiwanesa informou que acompanhou toda a movimentação das embarcações chinesas e enviou navios para “responder adequadamente” à situação.
Mas qual é o temor?
Embora Pequim tenha justificado a operação como resposta às negociações marítimas entre Japão e Filipinas, a ação ocorre em uma área sensível para a disputa envolvendo Taiwan e contribui para o aumento das tensões regionais.
O conflito entre China e Taiwan é uma disputa geopolítica e territorial que tem origem na Guerra Civil Chinesa, encerrada em 1949. Enquanto a China considera a ilha uma província rebelde e parte de seu território, Taipé funciona como uma democracia autônoma, com governo, Constituição e Forças Armadas próprios.
Desde o início da disputa, existe o temor de uma possível ação militar de Pequim para assumir o controle da ilha. A tensão aumentou nos últimos anos, impulsionada também pela disputa geopolítica e pela influência dos Estados Unidos sobre Taiwan.
Inclusive, uma avaliação estratégica realizada recentemente pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), com sede em Londres, afirmou que o mundo está à beira de uma nova corrida armamentista nuclear, “com a região Ásia-Pacífico no centro”.
“Estados regionais e aqueles com interesses estratégicos estão expandindo seus arsenais nucleares, enquanto Estados não detentores de armas nucleares buscam capacidades de ataque convencional de longo alcance. Ambos os cenários desafiam a estabilidade estratégica”, afirmou a avaliação do IISS





