
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
O que climatologistas e ambientalistas já vinham alertando há mais de um mês virou preocupação também da Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência especializada da Organização das Nações Unidas (ONU). A entidade advertiu nesta semana que há 80% de probabilidade de um episódio de El Niño se desenvolver entre junho e agosto, o que aumenta o risco de fenômenos meteorológicos extremos nos próximos meses.
A possibilidade do evento acendeu o alerta na organização, que prevê um episódio "ao menos moderado, e até forte" do fenômeno climático de consequências planetárias. A preocupação se estende para os meses seguintes: "as probabilidades de que o episódio prossiga pelo menos até novembro são próximas ou superam 90%".
O que esperar, de acordo com a OMM:
- Temperaturas globais: Para o período de junho a agosto, a OMM prevê um conjunto de condições que favorecem "um predomínio de temperaturas acima do normal em quase todas as regiões do planeta", com risco adicional de estresse térmico.
- Secas e monções: A organização lembrou que os centros de previsão regionais indicam precipitações "abaixo do normal" durante a temporada de chuvas de junho a setembro na região do Chifre da África, uma monção menos abundante que a média no sul da Ásia e condições mais quentes e secas na América Central.
- Furacões: Durante o verão do Hemisfério Norte, as águas quentes vinculadas ao El Niño também podem favorecer a formação de furacões no Pacífico central e leste, ao mesmo tempo que limitam seu desenvolvimento no Atlântico, acrescentou a OMM.
Segundo a entidade, o El Niño é caracterizado pelo aumento das temperaturas de superfície no centro e no leste do Pacífico equatorial. O último episódio de grande magnitude do fenômeno ocorreu entre 2023 e 2024, quebrando recordes globais de calor.
Segundo dados da OMM, entre o fim de abril e meados de maio, a temperatura da superfície do mar na parte centro-leste do Pacífico equatorial se aproximou dos limiares que definem o fenômeno. Esse aquecimento foi alimentado por temperaturas "excepcionalmente elevadas" abaixo da superfície, que superaram em mais de 6 °C as médias sazonais.




