
Donald Trump vangloria-se de ter feito um acordo com o Irã melhor do que aquele costurado por Barack Obama, em 2015 - e que ele rompeu em 2018, em seu primeiro mandato. A ironia é que, na letra fria do documento, o acerto fechado até agora é muito parecido com o do democrata.
À época, o acordo, chamado de Joint Comprehensive Plan of Action (JCPOA), estabeleceu, entre outros pontos, redução da capacidade nuclear e reservas de urânio; fazer pesquisa e desenvolvimento com urânio para centrífugas avançadas, de forma a não acumular urânio enriquecido; e autorização para inspeções profundas dos EUA em instalações iranianas.
Caso cumprisse, o país receberia em troca liberação de ativos congelados; teria reduzidas as sanções econômicas; e conquistaria o cancelamento, após três décadas, de restrições impostas contra a aviação do país.
O acordo de Trump, pelo pouco que se sabe até agora, inclui reabertura do Estreito de Ormuz; suspensão gradual de bloqueios e algumas sanções; possível liberação de bilhões de dólares em ativos iranianos congelados; retomada das exportações de petróleo iraniano; compromisso iraniano de não desenvolver armas nucleares; negociações adicionais por 60 dias para um acordo definitivo.
A principal diferença é que o acordo de Obama era muito mais técnico e detalhado sobre o programa nuclear. O documento Trump parece ser, antes de tudo, um acordo de estabilização, destinado a estancar a sangria da crise do petróleo e normalizar a economia.
Trump dizia que, ao liberar recursos iranianos, o acordo de Obama permitia que parte dos recursos liberados teria sido usado pelo regime iraniano para financiar grupos terroristas no Oriente Médio e para acelerar seu programa nuclear.
Agora, o novo acordo também prevê alívio de sanções e liberação de ativos congelados, algo que lembra justamente o que Trump chamava de concessão excessiva.
O acordo de Obama era um pacto nuclear que oferecia sanções em troca de limites verificáveis ao programa atômico; o acordo de Trump é um pacto de cessar-fogo e normalização econômica que também envolve a questão nuclear, mas cujo foco imediato é encerrar a crise e reabrir o fluxo de petróleo.






