
Um levantamento recente do Unicef aponta que 15.101 crianças e adolescentes foram assassinados no Brasil entre 2021 e 2023. A estatística mobilizou o órgão para que, diante da iminência do pleito eleitoral de 2026, seja lançada uma carta destinada aos candidatos aos governos estaduais e à Presidência da República.
O documento será divulgado em junho e se estrutura em três compromissos principais que os políticos devem assumir em relação ao planejamento e ao uso de recursos públicos voltados à infância e à adolescência.
Os três compromissos:
- Enfrentar a violência dentro de casa;
- Enfrentar a violência extrema e o racismo;
- Garantir transparência e qualidade no uso do orçamento público para a infância.
— Queremos que os candidatos se comprometam a não perder as crianças e adolescentes para a violência e que a pauta entre na agenda de políticas públicas do Brasil — afirmou Layla Saad, representante adjunta para Programas do UNICEF no Brasil.
Segurança pública no centro do debate
O Brasil tem 48,7 milhões de crianças e adolescentes, isto é, um a cada quatro habitantes tem menos de 18 anos. Para o Unicef, colocar o público infantojuvenil no centro do debate da segurança pública deve ser prioridade. Enquanto as mortes violentas caíram entre os adultos, no caso de crianças e adolescentes os números vêm crescendo. Os homicídios têm a maior porcentagem, seguidos por óbitos decorrentes de intervenção policial.
O perfil majoritário das vítimas letais no Brasil é de adolescentes do sexo masculino e negros. Os dados indicam que o marcador racial exerce fator determinante na dinâmica das mortes violentas de adolescentes no país, com mais impacto, inclusive, do que o gênero. Em três anos, foram pelo menos 9.328 crianças e adolescentes negros assassinados no país.


