
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
A Justiça dos Estados Unidos abriu, nesta quarta-feira (20), uma ação penal por homicídio contra o ex-ditador de Cuba Raúl Castro, irmão de Fidel Castro. A medida amplia a pressão do governo de Donald Trump contra Havana, em meio a temores de uma possível operação na ilha.
Mas quais são as acusações contra Raúl Castro?
Aos 94 anos, Raúl é acusado de quatro homicídios, dois crimes de destruição de aeronave e um crime de conspiração para matar cidadãos americanos.
Os fatos remontam aos anos 1990. Em fevereiro de 1996, jatos cubanos abateram dois pequenos aviões pilotados por integrantes do grupo humanitário Brothers to the Rescue (Irmãos ao Resgate), núcleo formado por cubanos anticastristas exilados nos EUA. Dos quatro homens a bordo que morreram, três eram cidadãos americanos.
Uma terceira aeronave da organização conseguiu escapar. Na época, Cuba afirmou que os aviões invadiram seu espaço aéreo, enquanto os EUA alegavam que o incidente ocorreu sobre águas internacionais. Posteriormente, a Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) concluiu que o ataque de fato aconteceu em espaço aéreo internacional.
Fidel Castro, então presidente de Cuba, afirmou na ocasião que deu ordens gerais para interromper os voos, mas não especificamente para que as aeronaves fossem atingidas. Ele pontuou que os militares agiram de acordo com "ordens permanentes" e que Raúl — que na era ministro da Defesa — também não havia emitido uma ordem direta para o abate.
Em resposta, o então presidente dos EUA, Bill Clinton, ordenou sanções, incluindo a suspensão de voos fretados e a restrição da circulação de diplomatas cubanos, além de costurar com o Congresso o endurecimento do embargo comercial à ilha.
Quem foi e o que faz, hoje, Raúl Castro
A poucos dias de completar 95 anos, Raúl está oficialmente aposentado de suas funções públicas, mas mantém influência decisiva sobre os rumos da ilha. Ele liderou Cuba entre 2006 (quando Fidel adoeceu) e 2018.
Em 2008, ele iniciou reformas econômicas que abriram espaço para a iniciativa privada e autorizaram os cubanos a viajar para o exterior, bem como a comprar e vender carros e imóveis.
Raúl foi ministro da Defesa por quase 50 anos, período em que ordenou a execução por fuzilamento de centenas de agentes da ditadura de Fulgencio Batista e, posteriormente, de opositores. Nas décadas de 1970 e 1980, enviou milhares de cubanos para lutar em solo africano, como na guerra de independência de Angola.
Um dos últimos guerrilheiros vivos que esteve ao lado de Fidel e de Che Guevara em Sierra Maestra, em 1958, Raúl ainda faz raras aparições públicas — sempre trajando seu uniforme militar, embora demonstre crescente fragilidade ao caminhar.






