
Três “Ts” descortinam as obsessões estratégicas da China contemporânea, que virão à tona no encontro entre Xi Jinping e Donald Trump: manter crescimento econômico (o primeiro "T", de tarifas), alcançar autonomia tecnológica (o segundo "T", tecnologia) e concluir a reunificação territorial (o terceiro "T", Taiwan).
Economia, inovação e soberania formam hoje o núcleo da visão de poder de Xi Jinping.
O dragão chinês deseja a continuidade do recuo tarifário, maior previsibilidade comercial e a evitação do desacoplamento econômico, o chamado “decoupling”, ou seja o processo de redução da interdependência econômica e tecnológica entre a China e os Estados Unidos. Para os chineses, as tarifas impostas desde a guerra comercial iniciada por Trump foram medidas protecionistas, que visam conter o crescimento chinês. Pequim argumenta que as tarifas prejudicam ambos os lados, encarecem produtos para consumidores americanos e desorganizam cadeias globais.
Em outras palavras, a China sabe que ainda depende do mercado consumidor americano, do dólar e do comércio global. Mas também acredita que os EUA dependem da manufatura chinesa, de minerais críticos e da estabilidade da economia chinesa.
O grande medo é o do isolamento econômico gradual, a formação de blocos anti-China e a transferência de fábricas para Índia, Vietnã e México.
O "T", de tecnologia, é o mais estratégico no longo prazo. Diz respeito, principalmente, à importação de chips e componentes americanos, que irão ditar o futuro da inteligência artificial (IA) e, ato contínuo, da indústria e até da guerra do futuro. Pequim interpreta as restrições tecnológicas como uma tentativa explícita de frear sua ascensão do dragão, uma versão 2.0 da contenção da Guerra Fria, uma disputa pela liderança do século 21. Para a China, chips são o equivalente contemporâneo do petróleo no século 20.
O terceiro T é o mais sensível do ponto de vista da segurança: Taiwan, a província rebelde que a China considera parte de seu território. Na visão chinesa, a reunificação não é uma questão de "se", mas de "quando". Uma proclamação de independência taiwanesa, com apoio dos EUA, seria uma linha vermelha. Os chineses entendem o apoio americano, previsto no tratado Taiwan Relations Act, como ingerência externa.
Além da questão da soberania nacional e de segurança, Taiwan é importante porque produz chips essenciais. Xi sabe que travar uma guerra por Taiwan teria custo gigantesco, mas não agir indefinidamente pode parecer fraqueza doméstica.






