
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
A historiadora e antropóloga brasileira Lilia Schwarcz participou, nesta sexta-feira (15), do Festival Fronteiras, evento que ocorre até sábado (16), na Praça da Matriz, em Porto Alegre.
Durante o debate "Diálogos entre a literatura e a sociedade", que contou com a participação do escritor e tradutor espanhol Javier Cercas, a historiadora brasileira falou sobre seus haters (termo usado para definir pessoas que publicam comentários de ódio) e lovers (amantes) nas redes sociais:
— Eu tenho muitos (haters). Eu aprendo também, mas tenho uma resposta padrão. Eles sempre dizem: "Tudo mentira isso que você está falando". E aí eu sempre respondo: "Sério que é mentira? Você pode me dar suas fontes?". O hater não tem fontes, não tem informação. E eu sempre digo a eles que prefiro trocar a minha opinião por uma informação. Eu estudei em escola pública a minha vida toda. No Brasil, há uma situação educacional muito perversa, porque as melhores universidades são públicas e só entram pessoas da escola privada. Então, é uma inversão. Estudei em escola pública, me formei na universidade pública e dou aula em uma universidade pública. Eu vou às redes sociais muito porque penso que é uma forma de restituir tudo o que a educação pública me deu — disse.
Lilia também falou sobre seus lovers, com quem mantém contato:
— Quais são os lovers? São aqueles primeiros que vão corrigir o meu texto, e corrigem muito bem. Eu lembro que uma vez eu falei: "Porque Mário Covas fez não sei o quê", e a pessoa falou: "Professora, seria o Mário Covas ou o filho dele?". Então eu tenho que corrigir com os outros. Mas os haters sempre têm que falar — completou.


