
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Reter ou atrair jovens para empreender no Rio Grande do Sul: para a economista Zeina Latif, este é o principal desafio dos governantes. A economista avaliou o cenário econômico do Estado nesta sexta-feira (15), durante sua participação no Festival Fronteiras, evento que se estende até sábado (16), em Porto Alegre.
Segundo ela, o aspecto demográfico do Estado no contexto nacional é preocupante, já que se prevê o início da inflexão, o encolhimento populacional, do Rio Grande do Sul já para o próximo ano:
— Me preocupa o fato de o aspecto demográfico aqui no Rio Grande do Sul ser muito pior. Se a inflexão da população no Brasil está prevista para 2042, no RS é em 2027. O Estado já vai começar a encolher, e as pessoas estão indo para Santa Catarina, onde a inflexão é só em 2064. O que está acontecendo é que o RS não está conseguindo reter ou atrair jovens que vêm empreender, que vêm investir. O Estado está envelhecendo.
De acordo com a especialista, outro Estado que envelhece em velocidade semelhante é o Rio de Janeiro. No entanto, o território fluminense ainda cresce do ponto de vista do PIB por ser um grande exportador de petróleo, embora não consiga diversificar a economia e enfrente um problema sério de criminalidade.
— O que está acontecendo com o Rio Grande do Sul? Qual é a hipótese? Tem questões ali que lembram a situação do Rio, como a crise fiscal. Devo dizer que o atual governador fez um trabalho muito importante, porque ele pegou um Estado quebrado. Não é só quebrado, é muito quebrado, com atraso na folha de pagamento e com mais pensionistas e aposentados no setor público do que pessoas na ativa. E ele avançou: fez uma reforma da previdência ambiciosa, uma reforma administrativa dura, dialogou com o funcionalismo. Foi importante.
Segundo Zeina, ter um Estado com problemas fiscais crônicos atrapalha a capacidade do poder público de cumprir suas funções básicas. Ela também chamou a atenção para a insegurança jurídica:
— Quando olhamos para o relatório Justiça em Números, vemos o grau de litigiosidade no Rio Grande do Sul: é o segundo maior em volume de litígios, atrás apenas de São Paulo. Mas quando você controla esse dado pelo tamanho do PIB e da população, o Rio Grande do Sul é, disparado, o Estado com mais litígios, contenciosos. Isso atrapalha o investimento. Acho que uma grande agenda aqui é realmente acertar o diálogo com as instâncias do Judiciário para tentar reduzir essa litigância.





