
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Após décadas na Alemanha, um fóssil brasileiro com cerca de 113 milhões de anos será repatriado. Os governos dos dois países anunciaram recentemente a decisão de devolver ao Brasil o “Irritator challengeri”, encontrado na Chapada do Araripe, no Ceará.
O dinossauro era um carnívoro de aproximadamente 6,5 metros, pertencente ao grupo dos espinossaurídeos, associados a ambientes aquáticos, e viveu no período Cretáceo, há cerca de 110 milhões de anos.
Retirado ilegalmente do Brasil, o fóssil foi vendido por um comerciante a um museu alemão, contrariando uma lei brasileira de 1942, que determina que fósseis encontrados no país são propriedade do Estado. Com isso, a peça foi considerada contrabandeada, motivando investigações sobre tráfico internacional de fósseis.
Atualmente, o “Irritator challengeri” está exposto no Museu Estatal de História Natural de Stuttgart.
Quando chegar ao país, o fóssil deverá ser incorporado ao acervo do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri (CE). Segundo a DW Brasil, o governo alemão, por meio do Ministério da Ciência, Pesquisa e Artes de Baden-Württemberg, declarou estar disposto a ceder a peça ao Brasil.
História curiosa do nome
Após a compra, pesquisadores europeus descobriram, por meio de tomografias, que o crânio havia sido adulterado: traficantes alongaram artificialmente o focinho e preencheram espaços com gesso e massa automotiva para que a peça parecesse mais completa.
A fraude inspirou o nome científico: “Irritator”, em referência à frustração dos paleontólogos, e “challengeri”, homenagem ao professor Challenger, personagem criado por Arthur Conan Doyle em O Mundo Perdido.




