
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Desde o anúncio, no início da semana, do encontro entre os presidentes Lula e Donald Trump, nesta quinta-feira (7), na Casa Branca, havia expectativa em torno de dois temas que dominaram o noticiário recentemente. No entanto, ambos ficaram fora da pauta oficial: a intenção dos Estados Unidos de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas e as críticas ao Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.
Desde março, Washington sinaliza com a possibilidade de declarar as duas facções como organizações terroristas. Como explicou a coluna à época, a medida iria além da nomenclatura, implicando ações legais e de segurança que poderiam redesenhar a cooperação no combate a esses grupos.
Para o Brasil, tal designação teria efeitos relevantes: congelamento de ativos, bloqueio de acesso ao sistema financeiro internacional e proibição de fornecimento de “apoio material”, incluindo armamentos, por parte de entidades americanas.
Na entrevista coletiva após a reunião com Trump, Lula negou que o tema tenha sido tratado.
— Eu disse a ele que estamos dispostos a construir um grupo de trabalho com todos os países da América Latina e quiçá, com todos os países do mundo, para criarmos um grupo forte de combate ao crime organizado — afirmou.
A polêmica do Pix
Outro assunto cercado de expectativa era o Pix, visto por setores americanos como possível concorrência desleal no mercado brasileiro. O sistema entrou no radar dos EUA em julho de 2025, quando o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) abriu investigação comercial, alegando que o Brasil favoreceria serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo.
Em abril deste ano, um relatório da Casa Branca reforçou as críticas, citando que o Pix afetaria grandes empresas americanas, como Visa, Mastercard e bancos que operam no país. O argumento é que as transações de baixo custo deixam de circular pelas redes americanas, reduzindo receitas.
— Uma das razões pelas quais trouxe o Dario (Durigan, ministro da Fazenda) era porque eu imaginava que o presidente Trump queria discutir a questão do Pix. Ele não tocou no assunto, então eu também não toquei. Espero que um dia ele ainda vá fazer um Pix — ironizou Lula, após a reunião.
A coluna mesmo chegou ouvir de um representante do governo americano no Brasil, recentemente, que o governo americano encarava com preocupação o assunto.






