
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Os Estados Unidos aguardam para esta sexta-feira (8) uma resposta do Irã sobre o fim das hostilidades no Oriente Médio. A expectativa foi expressa pelo secretário de Estado, Marco Rubio, durante viagem a Roma.
— Esperamos uma resposta deles em algum momento hoje. Espero que seja uma oferta séria; de verdade, espero isso — afirmou Rubio.
Embora os detalhes não tenham sido revelados, a imprensa internacional indica que a proposta visa encerrar formalmente o conflito. Caso haja acordo sobre os termos preliminares, seria iniciado um prazo de 30 dias para negociações detalhadas com objetivo de consolidar um plano abrangente.
Segundo fontes, duas exigências de Washington seguem como obstáculos, com chance reduzida de aceitação por Teerã: a suspensão total do programa nuclear iraniano; e a reabertura do Estreito de Ormuz, garantindo livre circulação.
De acordo com o site Axios, as conversas incluem a proposta de uma moratória no enriquecimento de urânio: os EUA exigem 20 anos, enquanto o Irã sugere 5 anos. O governo iraniano reitera que não abrirá mão do enriquecimento.
Quanto ao Estreito de Ormuz, a proposta prevê suspensão recíproca dos bloqueios. Porém, o cenário permanece tenso: nesta sexta-feira (8), tiros e explosões foram ouvidos na região. Fontes militares relataram que forças dos EUA alvejaram dois navios com bandeira ligada ao Irã, após tentativa de furar o bloqueio. Nas últimas horas, houve ainda uma troca limitada de disparos entre os dois países, em continuidade ao confronto iniciado na quinta (7).
Reações e visões antagônicas
A proposta americana teria prazo de 48 horas para resposta, informou o Axios. Na quarta-feira (6), no Salão Oval, o presidente Donald Trump demonstrou confiança:
— Eles querem fechar um acordo. Tivemos conversas muito boas nas últimas 24 horas e é muito possível que cheguemos a um consenso.
Por outro lado, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano disse à agência ISNA que Teerã responderá oficialmente. Já o parlamentar Ebrahim Rezaei, da Comissão de Política Externa e Segurança Nacional do Parlamento, foi crítico:
— Esta proposta é mais uma lista de desejos americana do que uma realidade.






