
O objetivo inicial dos EUA na guerra com o Irã era recolocar Mahmoud Ahmadinejad no poder, informa The New York Times nesta quarta-feira (20), em reportagem especial.
Isso diz muito sobre a guerra que Estados Unidos e Israel travam contra o Irã, iniciada há quase três meses. Primeiro que Donald Trump, ainda festejando a ação militar americana na Venezuela, que contou com a cooptação de uma ex-integrante da ditadura, Delcy Rodríguez, estava disposto em exportar o modelo "inimigo do meu inimigo é meu amigo" para outros cenários, no caso o regime dos aiatolás.
A operação teria dado errado porque, nos primeiros bombardeios a Teerã o próprio Ahmadinejad teria ficado ferido. Ele estava sob prisão domiciliar. O ataque a sua casa teria, segundo o jornal, o objetivo de neutralizar os guardas que o mantinham nessa condição e liberá-lo. O ex-presidente iraniano nunca mais foi visto desde então, e há relatos contraditórios sobre se teria morrido ou não.
Segundo: o fracasso americano pode ter livrado os governos Trump e de Benjamin Netanyahu de um erro histórico: reconduziriam ao poder um dos maiores antissemitas do século 20. Não era incomum ele defender jogar Israel no mar. Em 2012, em pleno Yom Kippur, o dia mais sagrado dos judeus, atacou, no púlpito da ONU, o que chamou de "sionistas incivilizados" e defendeu que o país deveria ser varrido do mapa. Ele era conhecido ainda por negar o Holocausto e por absurdos como dizer que não haveria um único homossexual no Irã.
Em 2010, Ahmadinejad sugeriu em seu discurso que os atentados de 11 de setembro de 2001 poderiam ter sido uma conspiração do governo dos Estados Unidos para justificar as invasões ao Iraque e ao Afeganistão. O discurso gerou grande revolta e motivou o abandono da sala por diplomatas americanos e europeus.
A ideia estapafúrdia evidencia ainda como os EUA e Israel estavam tão desesperados por uma mudança de regime que qualquer líder que ensaiasse se opor ao governo de plantão era visto como tábua de salvação.





