
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Após a reunião com o presidente americano, Donald Trump, na terça-feira (26), o pré-candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), realizou uma coletiva de imprensa em uma casa de eventos privada em Washington. A intenção inicial do parlamentar era fazer o pronunciamento na Embaixada do Brasil nos Estados Unidos, contudo o pedido foi negado pelo órgão.
A coluna conversou com fontes diplomáticas que explicaram os motivos da negativa. A embaixada recebeu o pedido da equipe de Flávio Bolsonaro na segunda-feira (25). No entanto, solicitações dessa natureza costumeiramente seguem um rito institucional. Como Flávio é senador, o pedido deveria ter sido formalizado pelo Senado, o que caracterizaria a viagem como uma agenda oficial.
Fontes com quem a coluna conversou informaram que a embaixada aguardou até ontem (terça-feira, 26) por uma notificação oficial do Senado, o que não ocorreu. Sem o aval do Legislativo, o evento não foi classificado como visita oficial.
De acordo com diplomatas, cessões de espaço desse tipo são habituais e o órgão atende a parlamentares "independentemente de agremiações políticas", desde que respaldados institucionalmente.
No ano passado, por exemplo, em meio às negociações da crise tarifária imposta pelos EUA, uma comitiva de senadores de diferentes partidos utilizou as instalações da embaixada americana. Na ocasião, como a comitiva estava em missão oficial, os diplomatas e colaboradores inclusive auxiliaram os parlamentares na coordenação das agendas.
Em nota divulgada à imprensa, o senador queixou-se da negativa:
"A embaixada brasileira representa o Estado brasileiro e não interesses partidários do PT ou do governo Lula. É inadmissível que um espaço público, que pertence ao povo brasileiro, seja utilizado de forma seletiva para atender conveniências ideológicas."





