
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Após ser capturado pelos Estados Unidos em 3 de janeiro, o ex-ditador da Venezuela Nicolás Maduro foi levado ao Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, em Nova York. Inicialmente isolado, o político foi transferido depois para celas comuns, segundo reportagem da revista The New Yorker.
As informações foram detalhadas pelo rapper Tekashi 6ix9ine, que contou ter dividido cela com Maduro. Em entrevista ao streamer Adin Ross, 6ix9ine relatou:
— Ele cheirava muito mal quando saiu da cela. Mas aí, sabe, ele conseguiu um tempo para tomar banho e coisas do tipo — disse.
Segundo o rapper, ao receber o novo companheiro de cela, tentria buscado ser cordial:
— Eu não queria incomodá-lo. Assim que ele chegou, eu disse: "E aí, o que você precisa?"
6ix9ine, recentemente libertado, afirmou ter levado consigo uma estatueta artesanal do Bob Esponja, com rabiscos e a data “2 de abril” escrita em espanhol. Segundo o cantor, seria um autógrafo deixado por Maduro.
Rotina na prisão
De acordo com a The New Yorker, Maduro ficou na ala “4 Norte”, destinada a detentos de alto perfil, como o produtor Sean “Diddy” Combs. O setor fica no quarto andar, acima da seção feminina da unidade. As condições foram descritas por 6ix9ine como precárias. Ele afirmou que dormia a 60 centímetros do venezuelano.
As refeições são entregues diretamente nas celas, e existe apenas uma sala anexa para encontros com advogados. As janelas são estreitas e reforçadas, e os banheiros oferecem pouca privacidade.
O rapper disse que Maduro passava grande parte do tempo lendo:
— Ele só lê a Bíblia. Ele lê todas as Bíblias. Tipo, logo que eu saí, ele estava lendo a Bíblia em chinês. Tipo, não sei se era a Bíblia de Buda... ele estava lendo alguma coisa. Mas ele leu, tipo, todas as Bíblias e ficou comparando.
6ix9ine afirmou ainda que ouviu supostos detalhes da operação militar que levou à prisão do ex-presidente em Caracas, mas declarou que não pretende revelar nada:
— Não acho que possa compartilhar, mas ele disse sim... Vou guardar isso para mim. E, se um dia eu for morto, decidi não dizer nada. Tipo, não quero falar sobre isso de jeito nenhum. E nunca vou falar sobre isso.
Atualmente, o Centro de Detenção Metropolitano abriga mais de 1,3 mil detentos, a maioria aguardando julgamento nos distritos sul e leste de Nova York.






