
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Os amantes da história e do Jornalismo ganharam, recentemente, um presente importante para a preservação da memória nacional: a Biblioteca Nacional concluiu a digitalização das 1.072 edições de O Pasquim, um dos jornais mais influentes da imprensa alternativa brasileira, publicado entre 1969 e 1991.
Agora, os gaúchos têm um motivo extra para celebrar: a digitalização das edições do Pasquim Sul, semanário que circulou entre 1986 e 1987 no Rio Grande do Sul.
No Estado, a operação foi liderada pelo jornalista Flávio Braga. Ele conta que, no início dos anos 1980, trabalhava no Rio de Janeiro como roteirista de cinema e teatro. Ao saber que o periódico carioca planejava expandir-se para outras regiões, tomou a iniciativa de procurar a redação com o objetivo de criar a versão regional do jornal satírico.
— Retornei para Porto Alegre em 1983 com um documento que autorizava a criação do Pasquim Sul. A partir daí, iniciei uma nova batalha. Levei quase dois anos para estruturar o projeto e só consegui porque encontrei Carlos de Noronha Feio, um português articulado, e contei também com Coi Lopes de Almeida, jornalista com perfil ideal para um jornal satírico.
Segundo Braga, a experiência marcou época:
— Foi uma experiência esplêndida, de jornalismo e de relacionamento político e cultural. Muitos cartunistas e autores começaram conosco e são referência até hoje.
No acervo digital, estão disponíveis 58 edições do Pasquim Sul — ausências pontuais são os números 18 e 39.
Além da versão gaúcha, o processo de regionalização do Pasquim também chegou a São Paulo, onde foram publicadas 56 edições sob coordenação de Paulo Markun e Manoel Canabarro, com apoio de Dante Matiussi. Estas também estão disponíveis no portal da Biblioteca Nacional.




