
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Há exatos dois meses, em 8 de março, Mojtaba Khamenei, filho do falecido aiatolá Ali Khamenei, assumiu o posto de Líder Supremo do Irã após ser eleito pela Assembleia dos Peritos. Mesmo passados 60 dias, permanecem dúvidas sobre seu paradeiro e estado de saúde.
Desde a nomeação, Mojtaba não fez aparições públicas. Seu primeiro pronunciamento ocorreu quatro dias após a eleição, mas a mensagem foi lida por uma locutora na TV estatal, acompanhada de uma foto estática do líder — sem imagens ou áudio dele.
Fontes do regime afirmaram na época que Mojtaba teria sofrido ferimentos nas pernas durante o ataque americano ao Irã, em 28 de fevereiro, e que fora hospitalizado. Rumores vão de lesões leves a amputações e desfiguração, mas não há confirmação oficial.
Desde então, quatro mensagens atribuídas ao novo chefe iraniano foram divulgadas, sempre por escrito. Na mais recente, no fim de abril, ele falou em um “novo capítulo para o Golfo Pérsico e o Estreito de Ormuz” e prometeu “eliminar abusos do inimigo nas rotas marítimas” no contexto da guerra contra a coalizão formada por Estados Unidos e Israel.
Nesta quinta-feira (7), o presidente Masoud Pezeshkian declarou ter se reunido com Mojtaba em data não detalhada.
— O que mais me marcou foi a visão e a postura humilde e sincera do Líder Supremo — disse Pezeshkian em vídeo exibido pela TV estatal.

A reunião, segundo a imprensa local, durou cerca de duas horas e meia e seria a primeira confirmação de um encontro presencial entre uma alta autoridade iraniana e o novo líder.
Pezeshkian descreveu a conversa como “direta, aberta e com espírito de proximidade e confiança”.





