
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
A economista Zeina Latif mostrou certo otimismo ao avaliar o posicionamento do Brasil no cenário geopolítico atual diante da corrida econômica entre Estados Unidos e China. Ela participou, nesta sexta-feira (15), do Festival Fronteiras, evento que se estende até sábado (16) na Praça da Matriz, em Porto Alegre.
Zeina foi questionada sobre sua avaliação do posicionamento do Brasil diante do cenário global:
— Otimismo é uma palavra muito forte, mas estamos bem posicionados. É um equilíbrio que temos de exercer. Não podemos arranjar briga nem com um nem com o outro (EUA e China). Os grandes estão brigando e a gente tenta pegar o melhor que pode. A concorrência dos dois países pode ajudar o Brasil. E, verdade seja dita, a nossa diplomacia, a forma como o atual governo conduz isso, está conseguindo um equilíbrio.
Segundo Zeina, atualmente há uma pauta comum entre as duas potências que envolve diretamente o Brasil: o mercado de terras raras e minerais críticos. O país possui a segunda maior reserva global desses materiais; entretanto, os chineses ainda dominam o refino.
— A China domina o refino e, obviamente, isso é um tema que preocupa os Estados Unidos, porque há uma corrida tecnológica, uma corrida por autossuficiência nesses setores ligados à tecnologia. Os Estados Unidos não têm (essa autossuficiência) e a China está lá nadando de braçada nesse mercado. E aí, para piorar, o Trump só toma decisão equivocada, só atrapalha essa construção.
Para a economista, é necessário que sejam estudadas medidas para trabalhar essa pauta no Brasil:
— Precisamos ver se vamos ter sabedoria para fazer boas regulações. Vamos ver. Mas eu quero dizer que tem material para trabalhar aqui. E a disputa entre as duas nações pode ajudar a gente a atrair investimentos dos dois lados. Mas tem que ter um trabalho de diplomacia importante.




