
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
O governo Lula anunciou, na segunda-feira (25), o envio de ajuda humanitária à Bolívia. O país vizinho vem enfrentando, há semanas, intensas ondas de protestos contra a gestão do recém-assumido presidente Rodrigo Paz. O anúncio do auxílio ocorreu durante uma conversa telefônica entre os dois mandatários.
Segundo nota do Itamaraty, o pedido partiu do próprio presidente boliviano, que dialogou na segunda-feira com Lula. Conforme apurado pelo G1, a solicitação envolve o empréstimo de uma aeronave para transportar mantimentos entre regiões dentro do território boliviano, além do envio de alimentos não perecíveis.
"O presidente Lula reiterou sua solidariedade ao governo e ao povo bolivianos e ressaltou a importância do pleno respeito às instituições democráticas e ao Estado de Direito. [...] A pedido do presidente Rodrigo Paz, o presidente Lula determinou o envio de ajuda humanitária à Bolívia", diz um trecho da nota do Ministério das Relações Exteriores.
Mas o que está acontecendo na Bolívia?
Os protestos se intensificaram nas últimas semanas e resultaram no bloqueio de estradas, principalmente de rodovias que servem de entrada e saída para a capital, La Paz. O cerco rodoviário gerou um grave desabastecimento de alimentos, combustíveis e medicamentos.
Desde o início de maio, trabalhadores, agricultores, professores, indígenas e transportadores tomaram as ruas. A Central Operária Boliviana (COB), maior sindicato do país, foi a responsável pelo início das paralisações, motivada por pedidos de reajuste salarial. Por outro lado, os agricultores reclamam da escassez crônica e má qualidade de combustíveis, enquanto os mineiros cobram novas áreas de exploração. Os professores exigem melhores salários, e manifestantes em geral pedem o fim das medidas de austeridade e ações contra o custo de vida crescente. Há, também, um forte debate sobre a "reforma parcial" da Constituição que rege o país desde 2009.
Os setores mais radicais, incluindo agricultores e trabalhadores ligados a organizações sociais associadas ao ex-presidente Evo Morales, chegam a exigir a renúncia do presidente.
A Bolívia atravessa a sua pior crise econômica em 40 anos. Os problemas estruturais começaram ainda no ciclo do Movimento ao Socialismo (MAS), partido que governou o país por quase duas décadas sob as gestões de Evo Morales (2006-2019) e Luis Arce (2020-2025). Embora a eleição de Paz tenha marcado o fim de 20 anos de governos de esquerda, seu mandato não dispõe de maioria no Parlamento e já enfrenta uma forte pressão popular por sua saída.


