
Há vários motivos para pensar que Cuba é o próximo alvo de Donald Trump, depois da Venezuela e do Irã. Nesta semana, a ditadura comunista distribuiu para famílias um manual com orientações sobre como sobreviver em meio a um ataque americano.
Antes, informações de inteligência de Washington davam conta de que Cuba teve acesso a mais de 300 drones militares e começou a discutir planos para utilizá-los para atacar a base americana em Guantánamo, navios militares dos Estados Unidos e, possivelmente, até mesmo a Flórida. Em meio a tudo isso, procuradores federais dos EUA procuravam uma acusação contra Raúl Castro, oficialmente aposentado, mas ainda referido na ilha como o “líder da revolução”.
Começa a se criar o lastro político para uma invasão. Miguel-Díaz Canel e Raúl estão longe de serem como Nicolás Maduro, capturado no início do ano na espetacular ação relâmpago em Caracas. No caso de Cuba é ainda mais difícil colar a acusação de "narcoestado", que serviu para a Venezuela.
Mas, como se sabe, pouco importa a Trump argumentos para justificar uma ação. Tampouco está preocupado com o que o resto do mundo pensa.
O que importa, para os falcões da Casa Branca, do ponto de vista estratégico, Cuba, assim como a Venezuela, o regime é um entreposto da Rússia e da China a cem quilômetros das Ilhas Keys, na Flórida. O governo Trump tem ampliado a pressão sobre Havana, adotando novas restrições ao fornecimento de petróleo para a ilha e aplicando novas sanções. Sobre ela, recaem todas as acusações de frustrar os interesses dos EUA na América Latina e Caribe.
Desde a Revolução Cubana de 1959, liderada por Fidel Castro, Cuba atravessou governos de praticamente todos os perfis ideológicos nos Estados Unidos — democratas, republicanos, conservadores, liberais, linha-dura e conciliadores. A ilha resistiu a mais de seis décadas de pressão americana, embargo econômico, tentativas de isolamento diplomático e momentos de forte tensão militar. Dwight D. Eisenhower (1953–1961) rompeu relações diplomáticas com Cuba após a revolução. John F. Kennedy (1961–1963) apoiou a invasão da Baía dos Porcos e Crise dos Mísseis de 1962, o momento mais tenso entre EUA e URSS durante Guerra Fria; Com Ronald Reagan (1981–1989), houve endurecimento máximo contra Havana; e, com Barack Obama (2009–2017), maior aproximação desde 1959, com reabertura de embaixadas e visita histórica a Havana. Tudo isso foi revertido com Trump.
A experiência traumática da Baía dos Porcos e da Crise dos Mísseis de Cuba ainda influencia o pensamento estratégico dos dois lados. O modelo mais provável, caso houvesse escalada séria, seria semelhante a operações americanas recentes: neutralização rápida de radares e defesa aérea; controle do espaço aéreo; bloqueio marítimo; ataques de precisão; e pressão para mudança de regime sem ocupação prolongada.
Na quinta-feira (14), o diretor da Agência Central de Inteligência americana (CIA), John Ratcliffe, esteve em Havana para se reunir com o neto de Raúl Castro, Raúl Guillermo Rodríguez Castro, o ministro do Interior, Lázaro Álvarez Casas, e o chefe dos serviços de inteligência cubanos. É algo incomum, ao lembrarmos que a agência esteve envolvida em todos os golpes de Estado e seus fracassos nos anos 1960 e 1970 na América Latina e Caribe. Isso poderia sugerir uma pesquisa exploratória por um nome do governo cubano para a transição, quem sabe uma Delcy Rodriguez cubana, o que ajudaria, em caso de ação armada, a evitar sangue.




