
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Bernardo Renner e Ísis Valentin, dois estudantes de 17 anos de Gravataí, na Região Metropolitana, não imaginavam que uma ideia nascida na prática de vôlei os levaria aos palcos do The Earth Prize 2026 — considerado o maior prêmio ambiental do mundo voltado para jovens.
Recentemente, eles foram anunciados como vencedores da etapa América Central e América do Sul da premiação. O projeto, batizado de Hada, é um biocurativo à base de plantas que utiliza aloe vera (babosa) e camomila, combinando propriedades antibacterianas, anti-inflamatórias e regenerativas em um único material. O objetivo: substituir as bandagens plásticas convencionais em locais como escolas, centros esportivos e unidades de saúde.

Com a conquista, Bernardo e Ísis receberam US$ 12,5 mil (cerca de R$ 63 mil) para aperfeiçoar a tecnologia. Agora, aguardam a decisão do prêmio global, que será definida por votação pública no fim de maio.
Como tudo começou
A ideia surgiu pouco antes de 2022, quando Ísis entrou na mesma escola que Bernardo, no Colégio Sinodal Prado, em Gravataí. Incomodados com os curativos tradicionais usados em treinos de vôlei — que geravam muitos resíduos plásticos e só cobriam pequenas lesões —, decidiram inovar.
Por limitações legais, escolas não podem usar produtos medicamentosos sem prescrição, então a dupla, na época com 13 anos, iniciou um projeto pensado com insumos 100% naturais e apresentado em uma feira de ciências da escola.
— Iniciamos as pesquisas em 2022 e levamos um ano para desenvolver o primeiro protótipo. Depois, seguimos com testes: avaliamos a capacidade de cicatrização e o tempo de decomposição, até definir o processo ideal — contou Bernardo à coluna.
O Hada é biodegradável e se decompõe no solo em até 48 horas, além de promover ativamente a regeneração tecidual.

A dupla conduziu os estudos nos laboratórios de Química e Biologia da escola e publicou quatro artigos científicos durante o desenvolvimento. Agora, buscam estrutura laboratorial robusta e apoio regulatório para avançar com a tecnologia. Os dois já contam com parcerias estratégicas, incluindo o Instituto Caldeira, o Prado Tech e o empresário Carlos Johannpeter, entre outros especialistas.
Sobre o prêmio
Criado pela Earth Foundation, organização sem fins lucrativos com sede em Genebra (Suíça), o The Earth Prize mobiliza estudantes de 13 a 19 anos em mais de 169 países, somando mais de 21 mil inscritos desde sua criação.
— É simplesmente surreal. Queremos usar esse reconhecimento para inspirar outros jovens a sonhar, pesquisar e lutar por seus objetivos. Também queremos motivar municípios a investirem em ciência nas escolas — destacou a dupla.
O valor de US$ 12,5 mil será usado integralmente no desenvolvimento do projeto, cobrindo compra de insumos, marketing, publicações em revistas científicas e etapas burocráticas, como registros na Anvisa e a publicação em revistas.





