
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Após 16 anos com o líder de direita Viktor Orbán no poder, a Hungria elegeu um novo primeiro-ministro: o advogado Péter Magyar, vitorioso neste domingo (12). A eleição abre caminho para a transição de um sistema que vigorava há mais de uma década no país; a mudança é amplamente celebrada por líderes da União Europeia.
Aos 45 anos, Magyar é um antigo aliado de Orbán que se tornou seu principal oponente. Hábil comunicador nas redes sociais, ele promete mudanças profundas no sistema político estabelecido pelo Fidesz (partido governista). Pessoas próximas ao político o descrevem como "temperamental e perfeccionista", mas também como alguém disposto ao diálogo.
De família conservadora, Magyar ingressou na política jovem, sendo amigo próximo de Gergely Gulyás, atual chefe de gabinete de Orbán. Em 2006, casou-se com Judit Varga, que viria anos depois a ser ministra da Justiça.
Sua trajetória inclui passagens como diplomata na UE pelo Ministério das Relações Exteriores da Hungria e a chefia da Diretoria Jurídica da UE no Banco de Desenvolvimento Húngaro. Atualmente, lidera o Tisza, partido de centro-direita que ganhou relevância após sua ruptura oficial com o governo em 2024.
O nome de Magyar ganhou projeção nacional em 2024, após um escândalo que abalou as estruturas do poder: a revelação de que a então presidente Katalin Novák havia concedido indulto a um cúmplice condenado em um caso de abuso sexual infantil. O episódio provocou as renúncias de Katalin e de Judit (ex-esposa de Magyar).
Em sua plataforma, Magyar promete combater a corrupção, recuperar serviços públicos como a saúde e implementar reformas para desbloquear bilhões de euros em fundos da UE retidos por questões de Estado de Direito. No plano internacional, busca transformar a Hungria em um parceiro confiável da Otan e da União Europeia.
Diferente de Orbán, que mantém proximidade com Vladimir Putin, Magyar critica o alinhamento com Moscou, embora mantenha uma postura cautelosa ao se recusar a enviar armas à Ucrânia e se opor a uma integração acelerada de Kiev ao bloco europeu.




