
O mundo aguarda, com expectativa, o discurso desta quarta-feira (1º) de Donald Trump sobre a guerra, previsto para as 22h pelo horário de Brasília.
Com a ambiguidade que lhe é habitual, ao longo do dia, o presidente americano sugeriu o fim do conflito com o Irã, embora tenha alertado para um possível retorno com "ataques pontuais", se necessário. Embora não haja nenhuma declaração oficial da Casa Branca sobre os detalhes do discurso, é possível ler, nas entrelinhas, algumas pistas.
São dois os principais sinais:
1) Em sua rede Truth Social, afirmou que o Irã "acabou de pedir um cessar-fogo aos Estados Unidos da América!". "Consideraremos isso quando o Estreito de Ormuz estiver aberto, livre e desimpedido. Até lá, vamos bombardear o Irã até a destruição total ou, como se diz, de volta à Idade da Pedra!!!", acrescentou. O Ministério das Relações Exteriores do Irã, no entanto, rejeitou a alegação como "falsa e infundada".
A coluna já havia antecipado que Trump poderia escolher uma saída rápida para a guerra: no caso, declarando vitória, ainda que em seus termos. Como não havia um objetivo declarado para o início dos ataques, qualquer motivo é possível, no maravilhoso mundo de Trump, para dizer que ele foi alcançado.
2) Em entrevista à Reuters, Trump disse que os EUA "sairão do Irã muito rapidamente", o que reforça a tese da saída rápida. Mas a tônica mais importante desta entrevista é sua mágoa com a Europa. O próprio presidente disse que um dos pontos principais de seu discurso seria expressar seu "nojo" em relação à Otan pelo que considera a falta de apoio da aliança aos objetivos dos EUA no Irã.
A partir dessas pistas pode-se esperar um cronograma para o fim das operações e ameaças de retirada americana da Otan — se o presidente quiser chocar, como gosta de fazer, ou apresentar-se como um garoto mimado — como costuma fazer — ele pode, inclusive, anunciar sua saída do clube militar.
A pressão interna é brutal: há uma queda de sua aprovação, nas pesquisas, agora situada abaixo de 40%. Desaprovação subiu para mais de 55%.
Pode-se dizer que há um otimismo cauteloso no ar em relação ao fim dos ataques ao Irã.
Diga o que disser, já temos alguns aprendizados:
Está muito claro que os mercados financeiros são seu limite. Em vários momentos, Trump falou, em entrevistas, ou escreveu em sua rede com o objetivo de tranquilizá-los.
O segundo aprendizado: o Irã demonstrou, neste conflito, que o Estreito de Ormuz é sua grande arma estratégica. Basta ameaçar fechar a rota, que os mercados caem, e o preço do barril sobe. Terror e pânico! Nas próximas guerras — infelizmente, elas voltarão a ocorrer —, essa continuará sendo a arma mais poderosa dos aiatolás.
Terceiro aprendizado: o abismo entre os EUA e a Europa se agigantou. A Otan não correu em socorro aos americanos, quando Trump conclamou os aliados a enviarem navios para desbloquear Ormuz. Daí, o "nojo" de Trump pela aliança militar.


