
Deve andar difícil a vida dos seguidores do movimento MAGA. Afinal, elegeram Donald Trump, em 2024, com a promessa de que ele faria os "Estados Unidos grandes de novo". "Make América Great Again, sobretudo, significava um governo que olharia para as necessidades domésticas dos país, como emprego, renda, saúde e educação, o que, certamente, exclui aventuras militares latino-americanas e ou de volta ao Oriente Médio.
O “America First” vai ficando cada vez mais parecido com “America Everywhere”. E, nesse cenário, talvez seja hora de resgatar um outro slogan, menos barulhento — e mais curioso — que surgiu nos bastidores do trumpismo: o MAHA.
Basta trocar uma letra. Sai o “G” de Great, entra o “H” de Health. E pronto: “Make America Healthy Again” ("Faça a América saudável novamente").
Quem seria contra um país mais saudável?
O problema começa quando se olha quem está à frente dessa agenda: o secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr., figura conhecida por posições controversas sobre vacinas e por questionar consensos científicos amplamente estabelecidos.
O movimento MAHA até acerta no diagnóstico de alguns problemas reais — como a alimentação baseada em ultraprocessados, o aumento de doenças crônicas e a influência de grandes empresas nas políticas públicas de saúde. Mas se dissolve quando mistura esse debate com desconfiança generalizada sobre vacinas.
Em 2023, ele disse que a obrigatoriedade da vacina de covid-19 em escolas, igrejas e empresas deixava os americanos com "menos liberdade que judeus sob o regime nazista". Com relação ao sarampo, doença erradicada em 2000, nos EUA, o país vê a explosão de casos. Autoridades de saúde fizeram mudanças sem precedentes nas recomendações de vacinação de rotina, eliminando um terço do calendário de vacinação infantil dos EUA, incluindo a recomendação de imunização contra hepatite B ao nascer. Mas mesmo antes de um juiz federal invalidar essas medidas, as autoridades não defenderam essas mudanças drásticas, após pesquisas de opinião pública ligadas a Trump recomendarem o afastamento da ideologia antivacina antes das eleições de meio de mandato, em novembro.
Nos últimos meses, com a aproximação das eleições de meio de mandato, o discurso mudou por cálculo político. Pesquisas mostram que a pauta antivacina é impopular, inclusive entre eleitores conservadores. Resultado: o tema começa a ser deixado de lado, substituído por algo mais palatável, como dieta, açúcar e excesso de telas pelas crianças.
É uma espécie de “MAHA light”.




