
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Uma proposta incomum chamou a atenção nos últimos dias: um integrante do alto escalão do governo de Donald Trump sugeriu à Fifa a substituição da delegação do Irã pela seleção italiana na Copa do Mundo de 2026.
A ideia partiu do enviado especial dos Estados Unidos para Negócios Globais, Paolo Zampolli, que confirmou a sugestão ao jornal britânico Financial Times:
— Confirmo que sugeri a Trump e a Infantino que a Itália substitua o Irã na Copa do Mundo. Sou italiano e seria um sonho ver a Azzurra em um torneio sediado nos EUA. Com quatro títulos, eles têm o pedigree necessário para justificar a inclusão.
Segundo o Financial Times, a proposta de Zampolli teria como objetivo reduzir tensões diplomáticas entre Washington e Roma. Recentemente, a primeira-ministra Giorgia Meloni criticou Trump após declarações polêmicas do presidente americano sobre o papa Leão XIV.
Oficialmente, a Fifa não comentou o assunto.
Repercussão na Itália
A notícia não foi bem recebida no país. O ministro da Economia italiano, Giancarlo Giorgetti, classificou a proposta como “vergonhosa”. Já o ministro do Esporte, Andrea Abodi, rejeitou a ideia:
— Primeiro, não é possível; segundo, não é apropriado... Você se classifica em campo — declarou ao jornal francês La Presse.
O presidente do Comitê Olímpico Italiano, Luciano Buonfiglio, também discordou, afirmando que se sentiria “ofendido” com um convite nessas condições. A Itália, tetracampeã mundial, não obteve a vaga em campo para o torneio.
O Irã participará da Copa?
É incerta a participação do Irã na Copa. As dúvidas começaram em março, com o aumento das tensões no Oriente Médio. A federação teme pela segurança de jogadores e comissão técnica, já que boa parte dos jogos será nos EUA.
Houve até uma tentativa de transferir as partidas da seleção persa para o México, mas a negociação foi rejeitada pela Fifa e pelo governo mexicano. Recentemente, Trump afirmou que o Irã seria “bem-vindo”, embora tenha ponderado que, em sua avaliação, o país não deveria participar “para sua própria segurança e bem-estar”.

