
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Islamabad, capital do Paquistão, deve receber na noite de segunda-feira (20) delegações americanas e iranianas para uma nova rodada de negociações. O objetivo é buscar um acordo de paz para o conflito entre os Estados Unidos e o Irã.
O encontro foi anunciado neste domingo (19) pelo presidente americano, Donald Trump, que confirmou a presença do enviado especial para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e de seu genro, Jared Kushner. O vice-presidente JD Vance também deve integrar a comitiva. Até o momento, o governo iraniano negou a participação nas conversas.
A capital paquistanesa já sentia os reflexos da reunião antes mesmo do anúncio oficial. Segundo a BBC, a administração do hotel Marriott, de cinco estrelas, solicitou que todos os hóspedes fizessem o check-out até as 15h deste domingo. "O Governo do Paquistão assumiu o controle total do hotel para um evento importante", informou o comunicado do estabelecimento. Medida semelhante foi adotada pelo Hotel Serena, que suspendeu reservas para os próximos dias.
Além das restrições na rede hoteleira, o esquema de segurança alterou a rotina acadêmica e urbana: três universidades transferiram suas aulas para o formato online e a polícia local anunciou o fechamento total da "Zona Vermelha" e da "Zona Vermelha Ampliada". "As áreas permanecerão completamente fechadas para todos os tipos de tráfego devido à chegada de delegações estrangeiras", informaram as autoridades em postagem no X.
De acordo com o portal paquistanês Dawn, a operação mobiliza 2,8 mil policiais, incluindo 130 atiradores de elite posicionados nos telhados de edifícios estratégicos. Equipes avançadas de segurança já começaram a desembarcar na cidade, que enfrenta fortes congestionamentos em seus arredores.
O papel do Paquistão
O país consolidou-se como mediador estratégico por manter canais abertos tanto com Washington quanto com Teerã. Além da proximidade geográfica e dos laços culturais, o Paquistão abriga a maior população xiita fora do Irã e não hospeda bases militares dos EUA, sendo visto por ambos os lados como um território neutro e seguro para o diálogo diplomático.





