
Em 1890, o capitão Alfred Thayer Mahan, professor de história naval e presidente da Escola de Guerra Naval dos Estados Unidos, publicou "A Influência do Poder Marítimo na História, 1660-1783", uma análise revolucionária sobre o poder naval na ascensão e consolidação do Império Britânico. Dois anos depois, ele concluiu "A Influência do Poder Marítimo na Revolução Francesa e no Império, 1793-1812".
Mahan é o pai na guerra naval. E um bloqueio naval é uma das manobras clássicas desse tipo de conflito.
Na prática, é uma operação militar que tem como objetivo impedir que um país use seus portos ou rotas marítimas, cortando comércio, suprimentos e capacidade militar.
Na situação atual, como fica muito claro no caso da operação dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz, a intenção é estrangular economicamente e logisticamente o inimigo, o Irã, no caso, sem necessariamente invadir o território.
Como é feito esse bloqueio: consiste em posicionar navios (fragatas e destróieres), submarinos (fundamentais para dissuasão), porta-aviões (cobertura aérea) e aviões de patrulha marítima.
Os bloqueios podem ser feitos próximo à costa, o que colocarias as tropas americanas sob maior risco, principalmente no caso do Irã, devido à geografia do território, com enseadas e montanhas.
Os bloqueios também podem ser realizados distantes da costa, controlando rotas estratégicas — provavelmente, a opção escolhida pelos EUA no caso de Ormuz.
Todo navio que tentar entrar ou sair do Golfo Pérsico ou dos portos iranianos são identificados, interceptados ou inspecionados. Quem tentar violar o bloqueio pode ser retido, desviado ou afundado.
A ameaça feita por Trump e a presença dos navios já servem como elementos de dissuasão — ou seja, fazendo com que embarcações deem meia volta, caso de dois navios iranianos que recuaram nesta segunda-feira (13).
Antigamente, um bloqueio era feito apenas com navios, submarinos e aeronaves militares. Hoje, estão envolvidos outros tipos de capacidades, como ações de ciberwar (guerra cibernética, para derrubar sistemas portuários), minagem naval e implementação de drones marítimos e aéreos.
As regras de engajamento consistem de uma série de etapas: aviso por rádio, manobra de interceptação, tiro de advertência e uso da força (pode ser o desembarque de tropas ou disparo tendo a embarcação como alvo).
Alguns dos bloqueios navais mais famosos foram o que o Reino Unido realizou em torno da Alemanha, na Primeira Guerra Mundial, quando a frota mercante foi banida dos oceanos, isolando o país economicamente.
Em 1962, os EUA realizaram o bloqueio de Cuba, durante a crise dos mísseis, uma "quarentena" naval em torno da ilha para impedir o envio de mísseis nucleares soviéticos, um dos momentos mais tensos da Guerra Fria.
E, em 1982, na Guerra das Malvinas, o Reino Unido declarou uma zona de exclusão total de 200 milhas náuticas ao redor do arquipélago, bloqueando a capacidade de reabastecimento argentina.



