
A eleição na Hungria, que levou à derrocada do regime de Viktor Orbán, depois de 16 anos, não é só sobre o país. É sobre a Europa e sobre o destino de partidos que pregam o nacionalismo exacerbado.
Orbán e um dos pais da chamada "democracia iliberal" e um dos poucos líderes estrangeiros que esteve na posse do ex-presidente Jair Bolsonaro, no Brasil, em janeiro de 2019 - Netanyahu também veio. Os dois têm afinidades ideológicas e já trocaram palavras afáveis em diversas vezes.
Sua ideologia anti-União Europeia, populista, que buscou restringir, por dentro, a independência entre os Poderes da República, diminuir a atuação do Ministério Público, do Tribunal de Contas e da imprensa, encontrou, felizmente, freio no escrutínio da população.
Os húngaros disseram "não" a um governo que chegou ao poder dizendo-se anti-establishment, mas que, ao alcançar a maioria do parlamento, vendeu-se ao clientelismo.
O pleito deste domingo (12) foi um referendo sobre o modelo de governo que a maioria dos europeus deseja, em um momento em que partidos de extrema-direita vêm crescendo em relevância e poder nos parlamentos nacionais em países como Alemanha, Espanha, França e Itália - e no próprio parlamento do bloco.
É também um recado a Vladimir Putin e sua aventura macabra na Ucrânia, que encontrava em Orbán, senão um aliado, ao menos um líder complacente.
Com a derrota de Orbán, perdem Putin, ganha a União Europeia e a democracia, sem qualificativos.



