
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Os gaúchos têm sentido na pele o aumento das temperaturas máximas no Rio Grande do Sul. Um levantamento feito pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) a pedido da coluna apontou que, dos 497 municípios do RS, 150 vêm apresentando um aumento de temperaturas máximas registradas em pouco mais de quatro décadas.
A pesquisa observou a temperatura máxima de cada ano entre 1979 (primeiro registro da série histórica) e 2025. Levando como base quatro décadas, três cidades gaúchas registraram uma elevação média de quase meio grau por década.
No topo da lista estão Estrela (Vale do Taquari), Ibarama (Serra) e Pinhal Grande (Região Central), que tiveram um aumento médio de 0,46°C a cada década.
Quevedos (Central) aumentou 0,45ºC. Jari, também na região Central, e Amaral Ferrador, no Sul, registraram alta de 0,44°C por década. Já Nova Esperança do Sul, Jaguari (Central), Salto do Jacuí (Noroeste) e Arroio do Tigre (Vale do Rio Pardo) apresentam elevação de 0,43°C a cada 10 anos.
Porto Alegre aparece na categoria "sem tendência significativa". A Capital aumentou 0,14ºC ao longo de cada década.
No outro extremo, a maioria das cidades com menor variação estão concentradas no Litoral Norte: Caraá, Imbé, Maquiné, Três Forquilhas, Xangri-Lá, Itati, além de Riozinho, no Vale do Paranhana, tiveram um aumento de apenas 0,01°C por década. O levantamento também identificou quatro municípios que apresentaram redução ao longo do período: Tavares e São José do Norte (na Região Sul), Capão da Canoa e Terra de Areia (no Litoral Norte).
Vale ressaltar que, de acordo com os técnicos do Cemaden, o aquecimento nas últimas décadas não é linear. Isso significa que a temperatura não sobe obrigatoriamente década após década, podendo apresentar variações e oscilações dentro da tendência geral de alta.


