
Com o governador Eduardo Leite preterido da vaga de candidato à presidência pelo PSD, está claro o quanto, no Brasil atual, é impossível romper a polarização entre o lulismo e o bolsonarismo.
As pesquisas mostram que há espaço para a ascensão do centro, há um desejo de ruptura entre eleitores — o alto nível de rejeição aos dois favoritos comprova isso.
Ronaldo Caiado, o governador de Goiás ungido por Gilberto Kassab para ser o candidato do partido, não representa, do ponto de vista ideológico, essa alternativa. Nos últimos anos, esteve muito próximo do bolsonarismo, certamente será aliado de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno — para não dizer ministro ou com cargo relevante em um possível governo.
Popularizada nos anos 1990 pelo então primeiro-ministro britânico Tony Blair e pelo então presidente dos EUA Bill Clinton, a chamada terceira via defende um Estado eficiente, com intervenção moderada, focado em educação, qualificação e combate à desigualdade.
No Brasil, associada à social-democracia, teve como principal expoente o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O inverno dessa ideologia começou em 2018, quando Ciro Gomes (então no PDT) ficou em terceiro lugar, com 12,47% dos votos nas eleições presidenciais, atrás de Fernando Haddad e de Jair Bolsonaro. Em 2022, Simone Tebet (MDB) chegou a essa mesma colocação com apenas 4,16%, atrás de Bolsonaro e Lula. Ciro ficou com 3,04%.
A candidatura da terceira via é uma miragem no Brasil. Por parte de Kassab, não há interesse em construir um projeto alternativo, que tenha como espinha dorsal a defesa da democracia, a reorganização de programas sociais ou um plano de Estado, focado no desenvolvimento centrado em novas tecnologias e em novas relações de trabalho. Tampouco em equilibrar o livre mercado com políticas sociais, posicionando-se entre a esquerda tradicional e o neoliberalismo. Isso passa ao largo do debate sobre quem será o candidato. O cálculo é sobre poder quanto poder, cargos e barganha que se terá no futuro.



