
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
O Irã anunciou, no domingo (1º), o aiatolá Alireza Arafi como o líder supremo interino do país para coordenar o processo de escolha de um novo comandante nacional após a morte de Ali Khamenei. O Conselho de Liderança é composto por Arafi, pelo presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, e pelo chefe do Judiciário, Gholam Hossein Mohseni Ejehei, e deve escolher o futuro líder nos próximos dias.
Atualmente, não há um sucessor óbvio, mas diversos nomes são ventilados. Durante anos, o favorito era o ex-presidente Ebrahim Raisi, mas sua morte em um acidente de helicóptero em 2024 reabriu a disputa.
Mojtaba Khamenei
Aos 56 anos, o filho do líder assassinado é o nome mais forte nos bastidores. Embora nunca tenha ocupado um cargo oficial, chefiava o gabinete do pai e possui imensa influência na Guarda Revolucionária (IRGC) e na força paramilitar Basij. Conta com as credenciais religiosas necessárias para o cargo.
Atualmente há dois pontos apontados como "empecilhos" para a sua escolha: a falta de projeção política e o próprio fato de ser o filho do ex-líder supremo, já que uma das justificativas para a mobilização que derrubou o governo iraniano do xá Reza Pahlavi na Revolução Iraniana de 1979 era o combate à hereditariedade do antigo regime.

Ali Larijani
Político veterano de 67 anos e ex-comandante da IRGC, Larijani é um nome de confiança do sistema. Foi presidente do Parlamento por 12 anos e negociou acordos estratégicos com a China. É visto como um político habilidoso, capaz de transitar entre radicais e a diplomacia internacional.
O principal empecilho é que Larijani não é um clérigo, qualificação fundamental pela Constituição atual. Além disso, é alvo de críticas internacionais pela repressão violenta aos protestos de janeiro de 2026.

Mohammad Bagher Ghalibaf
Atual presidente do Parlamento, Ghalibaf adotou um tom agressivo após os ataques, prometendo "golpes devastadores" contra os agressores. Com carreira inteiramente militar e experiência como prefeito de Teerã, é visto como um "tecnocrata autoritário".
Ele também esbarra no fato de não ser clérigo e carrega suspeitas de corrupção de sua época na prefeitura da capital.

Hassan Rouhani
Ex-presidente (2013–2021) e arquiteto do Acordo Nuclear de 2015, Rouhani representa a ala pragmática que busca tirar o Irã do isolamento. O jornal The New York Times o aponta como um candidato de peso devido à sua experiência.
Entretanto, ele é o "inimigo número um" da ala ultraconservadora e da IRGC. Em 2024, foi impedido de concorrer à Assembleia de Peritos, o que mostra sua fragilidade perante o atual sistema de poder.

Alireza Arafi
Apontado pela CNN como um forte candidato, o homem que agora comanda a transição é membro do Conselho de Guardiães e chefe dos seminários do Irã. É um nome de confiança extrema de Khamenei.
Porém, não possui laços fortes com o aparato de segurança (IRGC) e é visto como uma figura de bastidor, sem grande projeção política nacional.

Mohammad Mehdi Mirbagheri
Aos 60 anos, é o principal intelectual da ala ultraconservadora iraniana. Defende o "Islamismo Abrangente" e a rejeição total a influências ocidentais.
Mirbagheri enfrenta barreiras diante de sua defesa de um isolamento radical e a falta de experiência em gestão política prática o tornam um nome de alto risco para a estabilidade econômica do país.

Hassan Khomeini
Neto do fundador da República Islâmica Ruhollah Khomeini , Hassan possui legitimidade revolucionária. Ele atua como zelador do mausoléu de Khomeini. Ele é considerado menos linha-dura do que os demais candidatos defende uma interpretação mais flexível da República Islâmica, com maior abertura para a vontade popular e diálogo internacional, o que o torna popular entre os jovens.
O fato pode se tornar um empecilho ser considerado "liberal demais" pelos atuais comandantes da IRGC e nunca ocupou cargos públicos, tendo pouca influência sobre o aparato de segurança.
Hashem Hosseini Bushehri
Primeiro vice-presidente da Assembleia de Peritos, Bushehri é o "homem do sistema". Defensor leal da doutrina de Khamenei, ele preza pelo consenso e pela estabilidade das instituições religiosas.
Enfrenta falta de carisma político e um perfil excessivamente voltado aos bastidores acadêmicos e religiosos de Qom.


