
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
O Chile terá, a partir desta quarta-feira (11), um novo presidente. O ultradireitista José Antonio Kast assume o país, marcando uma mudança brusca no alinhamento ideológico nacional. O conservador sucede Gabriel Boric, da esquerda, representando a maior guinada do país à direita desde o fim da ditadura militar chilena.
De forte perfil conservador, Kast já concorreu duas vezes à presidência do Chile. Nas eleições de 2021, chegou ao segundo turno, mas foi derrotado por Boric. Na primeira vez em que disputou o cargo, em 2017, ficou em quarto lugar, com 8% dos votos. Na vida pública, Kast já foi deputado entre 2002 e 2014 e entre 2014 e 2018.
Embora evite comentar publicamente sobre a ditadura chilena, no passado Kast já defendeu aspectos do legado do ditador Augusto Pinochet. Seu irmão mais velho, Miguel Kast, foi ministro e presidente do Banco Central no início da década de 1980, durante a ditadura de Pinochet.
Kast é filho de um imigrante alemão que foi integrante do partido nazista e tenente do Exército alemão. O político chileno afirma que seu pai foi forçado a se alistar para evitar um possível julgamento militar e execução. Após a Segunda Guerra Mundial, o pai fugiu para a América do Sul. Ainda durante as eleições de 2021, Kast enfrentou críticas devido a esses laços familiares.
Principais bandeiras
Em suas propostas, Kast defendeu medidas imigratórias mais rigorosas, incluindo o fechamento das fronteiras para imigrantes irregulares. Uma delas é a criação de um "escudo fronteiriço", que inclui erguer um muro na fronteira com a Bolívia, cavar uma trincheira e mobilizar militares para conter entradas ilegais.
Outra proposta apresentada durante a campanha foi a expulsão de cerca de 340 mil imigrantes indocumentados que vivem no Chile. Ele também prometeu criar uma força policial especializada nos moldes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos).
Kast também se opõe ao aborto, inclusive em casos de estupro, ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e à discussão de identidade de gênero nas escolas. Já afirmou que revogaria os direitos limitados ao aborto no Chile, parcialmente liberado em 2017, e proibiria a venda da pílula do dia seguinte.
Na economia, defende um Estado mínimo, com redução de impostos e cortes nos gastos públicos. O plano econômico do novo presidente inclui leis trabalhistas mais flexíveis, redução de impostos corporativos e menor regulamentação.
Posicionamento
Diferentemente de Gabriel Boric, que mantinha contato direto com o presidente Lula devido ao alinhamento político entre os dois líderes, Kast adota posições antagônicas às do brasileiro. Ele já elogiou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Em setembro, por exemplo, quando Bolsonaro foi condenado por tentativa de golpe de Estado, Kast afirmou que existem juízes no Brasil que agem com base em ideologia política.
Era aguardada a presença de Lula na posse, porém a agenda foi cancelada nesta terça-feira (10). Por outro lado, o pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foi convidado pela equipe de Kast para participar da cerimônia e confirmou presença na solenidade.




