
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
O Oscar, a maior premiação do cinema mundial, está agendado para o próximo domingo (15) em Los Angeles, nos Estados Unidos. Apesar de Hollywood estar a cerca de 12 mil quilômetros de distância de Teerã, o conflito no Oriente Médio deve estar presente no entorno do Dolby Theatre, no tapete vermelho e até nos discursos dos vencedores.
O indicativo mais visível e antecipado de que a guerra poderá afetar a premiação é a segurança. Na quarta-feira (11), o FBI emitiu um alerta às forças de segurança da Califórnia sobre a possibilidade de um ataque coordenado de drones iranianos. A medida levou a Academia do Oscar, que organiza a premiação, a reforçar a segurança para o evento.
O próprio governo americano vem, desde terça-feira (10), monitorando uma possível mobilização por parte do Irã de agentes secretos e "células adormecidas" — grupos de agentes infiltrados em um país que permanecem inativos por longos períodos até receberem uma ordem específica para agir.
Segundo reportagem da rede de TV ABC News, a suspeita da Casa Branca é que o governo iraniano tenha enviado uma mensagem criptografada convocando esses grupos para a realização de ataques em regiões dos EUA. Na quarta-feira (11), Donald Trump afirmou que a inteligência americana já identificou a localização dessas chamadas “células adormecidas” ligadas a Teerã.
Comentários políticos na cerimônia
Além da presença mais evidente da força policial pelas ruas de Los Angeles, o tapete vermelho e a cerimônia devem contar com discursos que envolvam o conflito entre EUA e Israel contra o Israel.
É comum que a classe artística se pronuncie e faça comentários políticos em premiações. No início de fevereiro, por exemplo, o Grammy 2026 — o maior prêmio da indústria musical — foi marcado por protestos contra o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) e por críticas diretas ao presidente Donald Trump.
Os comentários mais incisivos foram feitos pelo comediante Trevor Noah, pelo cantor porto-riquenho Bad Bunny e pela americana Billie Eilish.
No caso do Oscar, o filme iraniano Foi Apenas Um Acidente, dirigido pelo cineasta Jafar Panahi, está concorrendo na categoria de Melhor Filme Internacional, ao lado do brasileiro O Agente Secreto. Recentemente, o longa iraniano saiu vitorioso do Festival de Cannes de 2025, onde conquistou a Palma de Ouro. O diretor, Panahi, é considerado um dos nomes mais importantes do cinema contemporâneo.
Mas o resultado do Oscar pode sofrer interferência?
A votação final para o Oscar 2026 foi encerrada em 5 de março, poucos dias após o agravamento do conflito, iniciado em 28 de fevereiro. Alguns especialistas em cinema apontam que o fato possa ter engajado votos para a produção iraniana; outros acreditam que a maior parte já havia sido contabilizada antes da escalada das tensões.




