
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Um dos principais glaciologistas da América Latina, o professor da UFRGS Jefferson Cardia Simões, esteve na Itália no início do mês representando o Brasil no fórum internacional Polar Dialogue. O evento, que reuniu pesquisadores e especialistas internacionais, teve o objetivo de discutir as mudanças no Ártico e seus impactos geopolíticos globais. O encontro, organizado pelo Conselho Nacional de Pesquisa da Itália, ocorreu no início de março.
Durante o fórum, foram discutidas as consequências do aquecimento acelerado no Ártico, incluindo a abertura de novas rotas marítimas, o aumento do interesse estratégico por recursos naturais e o crescimento da presença militar na região. A iniciativa é impulsionada pelo ex-presidente da Islândia, Ólafur Ragnar Grímsson, também associado à criação da Arctic Circle Assembly, um dos principais espaços globais de debate sobre o futuro da região.
— Falamos sobre o impacto das mudanças do clima no Ártico e no planeta, além de questões políticas e da "corrida pelo Ártico". Hoje, esse tema está se tornando cada vez mais evidente no mundo — comentou Simões.
Convidado a contribuir com a perspectiva do Hemisfério Sul, o cientista destacou a importância de incluir o Sul Global nas discussões. Durante o evento, uma das atividades foi uma visita à Pontifícia Academia de Ciências, no Vaticano. A reunião teve caráter informal, mas reforçou o diálogo entre a comunidade científica e instituições internacionais preocupadas com os impactos ambientais e sociais das mudanças climáticas. Recentemente, Simões coordenou a Expedição Internacional de Circum-Navegação Costeira Antártica e pôde compartilhar essas experiências na Itália.
— Enfatizamos dois pontos principais: como as mudanças climáticas no Ártico estão se espalhando para o Hemisfério Sul e de que forma o Ártico tem impactado o Sul Global em suas mais diferentes características — contou Simões, que também ocupou o cargo de vice-presidente do Scientific Committee on Antarctic Research (SCAR).






